Filme em conversa: “Superman – The Movie” – Versão do Realizador
Género: Acção/Comédia
Ano de estreia: Filme  – 1978/ Versão do Realizador – 2000
Realizador: Richard Donner
Elenco: Marlon Brandon, Gene Hackman, Christopher Reeve, Margot Kidder, Ned Beatty
País: Estados Unidos da América

Ora bem; a minha opinião sobre “Batman V Superman” – que pode ser lida aqui – não é das mais positivas, e após vários dias a pensar no raio do filme decidi que o melhor a fazer seria limpar o palato. Fui então re-ver alguns dos filmes baseados nas personagens da DC Comics e já que estava com as mãos na massa, achei por bem partilhar a minha opinião sobre os mesmos.

Esta edição, bem como as próximas quatro, serão portanto dedicadas a filmes onde os protagonistas são gente como Super-Homem, Batman, Wonder Woman e os restantes membros da Liga da Justiça (daí o sub-título da rubrica).

Comecemos então pelo mais “super” de todos os super-heróis, o homem de aço ele próprio e vamos a “Superman: The Movie”.

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“Superman” não foi nem de perto nem de longe o primeiro filme de Banda-Desenhada e está longe – mas muito longe – de ser o mais credível, ou mesmo o melhor – opiniões dividem-se – mas este filme terá sempre um lugar no coração dos fãs de BD e de muitos cinéfilos que cresceram acompanhados pelo tema épico criado por John Williams e pelo sorriso carismático de Christopher Reeves, considerado até hoje o melhor Super-Homem na grande tela.

Até 1978 o mundo ainda não estava familiarizado com a história de Kal-El, o kryptoniano que foi lançado ao Espaço pelos pais numa tentativa desesperada de o salvar da destruição do seu planeta. Após alguns anos em órbita, Kal-El despenha-se no nosso planeta onde é adoptado pelo família Kent, recebendo o nome de Clark.

A sequência inicial em Krypton é mais longa na versão do realizador, lançada em DVD em 2000, do que era na versão original. Nesta versão Jor-El – Marlon Brando – tem mais tempo em cena. A sua discussão com os outros membros do governo é mais longa e dá um maior peso ao sacrifício que ele faz ao despedir-se para sempre do próprio filho.

O que não nos é dito, é que Brando, que se tornou com este filme no actor mais bem pago da altura, se recusou a decorar as suas falas, obrigando a produção do filme a esconder cartões com as suas falas no manto da criança.

O que não nos é dito, é que Brando, que se tornou com este filme no actor mais bem pago da altura, se recusou a decorar as suas falas, obrigando a produção do filme a esconder cartões com as suas falas no manto da criança.

“Superman” é aliás um filme sobre personagens e as suas relações do que sobre as cenas de acção e o espetáculo propriamente dito – até porque, quanto mais efeitos especiais, menos credível tudo se torna – e esta versão do realizador foca-se ainda mais nisso mesmo. Tirando meia dúzia de planos na sequência final, todas as cenas extra são pequenos momentos que permitem o desenvolvimento das personagens ou das suas relações uns com os outros. Existe uma boa sequência onde Clark abandona a quinta dos seus pais adoptivos e vai em busca de respostas sobre os seus poderes, onde Christopher Reeve tem a oportunidade de contracenar com um holograma da cara de Marlon Brando – repito: actor mais bem pago do momento – que acaba por definir muito daquilo que virá a ser o Super-Homem enquanto herói. Outra simplesmente inclui uma discussão cómica entre transeuntes. Estas cenas acabam por não afectar o ritmo do filme – que, comparado aos filmes modernos, nem é assim tão lento – e até acrescentam um pouco mais de personalidade às personagens.

E não importa o quão ocupado seja um herói, há sempre tempo para as boas-maneiras, bem como conversas sobre como a visão raio-x permite saber qual a cor da roupa interior dos outros.

E não importa o quão ocupado seja um herói, há sempre tempo para as boas-maneiras, bem como conversas sobre como a visão raio-x permite saber qual a cor da roupa interior dos outros.

A primeira vez, aliás, que vemos o Super-Homem em toda a sua glória, vestido com o seu fato azul de licra e coberto com a sua longa capa ondulante – e as cuecas vermelhas, sempre as cuecas vermelhas – é depois de uma hora de filme, hora essa em que temos a oportunidade de conhecer o Super-Homem enquanto pessoa, enquanto Clark Kent. Tudo isto serve um propósito que acaba por recompensar no terceiro acto do filme onde aí sim, a narrativa começa a perder um bocado o controlo no que toca a “credível”. Já no que toca a efeitos-especiais, estes são usados de facto como o próprio nome indica, de forma especial, guardados para usar apenas quando absolutamente necessários, criando maior impacto quando de facto são usados. Esta salvaguarda na utilização de efeitos-especiais permite que o filme não se torne – tão – datado, mesmo trinta anos depois da sua produção, o que não se pode dizer sobre muitos outros filmes.

O importante a saber sobre “Superman: The Movie” é que este é O filme definitivo para quem aprecia um herói na sua forma mais pura. Não se podem fazer comparações entre este Super-Homem e as suas outras versões, sendo que cada um deles apresenta os seus pontos fortes e fracos, mas se durante muitos anos as crianças têm crescido a querer ser o Super-Homem, tudo se deve a este filme. A caracterização das personagens foi feita com muito charme, ás vezes mesmo algo lamechas mas sempre com carisma e uma motivação bem definida.