“Raiva”, a adaptação de Sérgio Tréfaut do clássico da literatura portuguesa “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca, estreia nas salas de cinema a 31 de outubro.

Alentejo, 1950. Nos campos desertos do Sul de Portugal, fustigados pelo vento e pela fome, a violência explode de repente: vários assassinatos a sangue frio têm lugar numa só noite. Porquê? Qual a origem dos crimes? A história, decorrida no Alentejo, relata os acontecimentos que levaram um camponês pobre a assassinar dois homens a sangue frio e a enfrentar sozinho a guarda e o exército numa luta desigual.

Rodado inteiramente no Alentejo, o filme conta com as interpretações de Isabel RuthLeonor SilveiraLuís Miguel CintraJosé Pinto, Adriano LuzKaio CésarDiogo DóriaCatarina Wallenstein Rogério Samora. O filme conta ainda com as participações especiais do catalão Sergi López e de Herman José. Destaque ainda para a participação de Lia Gama num papel de homenagem a Nicolau Breyner, que integrava o elenco original do filme, mas que acabaria por falecer na véspera das filmagens. O filme é protagonizado por Hugo Bentes, não-ator e natural de Serpa, escolhido pela proximidade que tem com a história, com a região e, sobretudo, pelo orgulho com que encarna a personagem.

Em 1933, os jornais portugueses deram destaque a uma história violenta que ficou conhecida como «a tragédia de Beja». O episódio foi capa do Diário de Notícias e transformou-se num folhetim informativo com direito a ilustração. Vinte anos mais tarde, passa de notícia a livro por Manuel da Fonseca, escritor e jornalista de renome, que investigou este episódio para criar o romance “Seara de Vento”. Na versão de Manuel da Fonseca, o monstro criado pela imprensa durante a Tragédia de Beja transforma-se num herói solitário, vítima do abuso de poder e símbolo de resistência. Segundo o realizador, escolher adaptar “um clássico do neorrealismo português, talvez o livro mais emblemático sobre o Alentejo e sobre a sua realidade ancestral, é um desafio. O filme, tal como o livro, fala do abismo entre pobres e ricos.”

“Raiva” é a segunda longa-metragem de ficção de Sérgio Tréfaut, que assina um trabalho a preto e branco que assume claramente uma dimensão teatral, anti-naturalista e de homenagem ao cinema mudo. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Moscovo, onde arrecadou dois prémios (Júri Internacional e Imprensa Independente) e encerrou a edição 2018 do IndieLisboa, integrando ainda a seleção oficial do Filmfest Munchen, do Festival de Cinema Europeu de Sevilha e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, entre outros. Recebeu ainda o prémio do público no Festival Transfronteira Periferias (Portugal-Espanha).