Quando se começa a ir buscar inspiração a terras de sua majestade.

Esta é de todas as décadas Disney, aquela onde a escolha de um filme é a mais difícil. Pelo menos para mim é claro. Mas após alguma ponderação (…e um pouco de um-dó-li-tá…) cheguei á minha decisão: “Alice no pais das maravilhas” é então o grande filme da década de 50.

 

Se hoje eu posso dizer que sou um adepto fervoroso da escrita de Lewis Carrol devo agradece-lho á Disney por me ter feito atravessar o espelho até ás terras de sua majestade, a rainha de copas. O primeiro filme daquele que veio a ser conhecido como o “Ciclo Inglês da Disney” (A contar também com “Peter Pan”, ”Winnie the Pooh”, “101 Dálmatas”, “A Espada era a Lei”, “O livro da Selva” e “As aventuras de Bernardo e Bianca” , foi visto por mim quando tinha eu uns 7/8 anos e até hoje tenho na memória todo o “non-sense” e todas as coisas bizarras do Pais das maravilhas e seus habitantes. O próprio assobio dos bules de chá na festa de desaniversário do chapeleiro ainda faz parte do meu dia-a-dia.

 

Inicialmente pensado até como uma possível mistura entre acção real e animação (mais tarde feito com o “Who framed Roger Rabbit”, a pré produção do argumento do filme contou até com a participação do escritor Aldous Huxley, que acabou por deixar de fazer parte da equipa. Dez anos demorou desde a decisão da empresa americana fazer o filme até á sua finalização. E foi o primeiro filme a ter uma segunda passagem pelas salas de cinema; pois apesar de não ter tido sucesso na sua estreia, foi dos filmes mais requisitados pelo publico para a fabricação de cópias caseiras em 16mm, o que fez com que a Disney resolvesse lançar o filme novamente para as salas, obtendo desta vez o sucesso desejado.

 

Mas já agora, como a indecisão para a criação do texto de hoje foi tanta, tenho que fazer aqui a menção ao “Peter Pan”, o primeiro filme Disney a ser lançado sob o selo “Bueno Vista Distribution”, a distribuidora cinematográfica da Disney.

 

Qual foi o rapaz que não queria ser igual a Peter e poder passar os dias com os amigos a lutar contra piratas e a fazer praticamente tudo o que desejar? Qual a menina que não queria ter a sorte de Wendy e poder voar para uma terra de fantasia, bem longe daqui? O desejo de ser eternamente livre como uma criança está presente em praticamente todos nós (haverá sempre “capitão gancho a dizer o contrário”, mas infelizmente ainda ninguém conseguiu chegar até á aquele lugar que fica algures á direita da segunda estrela.