Teresa Althen, da KINO: “as narrativas femininas são as mais interessantes”

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O Cinema Sétima Arte fez cinco perguntas a Teresa Althen, diretora artística da 20.ª edição da KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã, organizada todos os anos pelo Goethe-Institut Portugal.

Em 2023, sob o tema Novos Começos, o evento apresenta muitas novidades, como um programa intitulado “História(s) do Cinema Alemão”, que acontecerá na Cinemateca Portuguesa até ao dia 18 de fevereiro, e uma itinerância por salas de cinema em Lagos, Coimbra e Porto.

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Há quantas edições você é a diretora artística da Mostra KINO? Você considera essa 20.ª edição como uma das mais desafiadoras?

Sou diretora artística da KINO há 3 anos – o primeiro ano foi um pouco “backstage” porque os cinemas fecharam uma semana antes do início da KINO [por conta da pandemia da covid-19] e aconteceu tudo online, na plataforma Filmin. Até foi uma boa experiência, e funcionou muito bem porque era meio o “primeiro evento cultural do lockdown” e então as pessoas ainda tinham grande vontade de participar e descobrir. Hoje já seria diferente. Esta 20.ª edição é mesmo uma muito especial porque comemora-se muito: 20 anos de trabalho de todas as antecessoras, muitas parcerias, 372 filmes, e tudo o que desejamos para este e para os próximos anos. A vontade de celebrar, de festejar, mas também de lutar para que a KINO possa continuar a existir. E também fazer uma abertura de tão grande atualidade, escolhendo um filme documentário, querendo dar palco a esta realidade – é um desafio, mas uma escolha certa e importante.

Qual é a importância da KINO também ir para Lagos, Coimbra e Porto?

É, claro, dar a possibilidade a todos estes filmes de serem vistos em todo o país, mas especialmente dar a possibilidade a todos os públicos diferentes de poder descobrir um cinema que não chegaria a eles se não fosse pela KINO. É colaborar também com outros espaços culturais em outras zonas do país, empenhar os cineclubes e cinemas, teatros, bibliotecas. É importante diversificarmos os locais culturais, e descentralizarmos os nossos eventos, sempre dentro do possível (quero que seja possível ainda muito mais!).

A maioria dos filmes apresentados na KINO são realizados por mulheres. Essa representatividade é uma meta que o evento pretende seguir?

Claro. É uma meta, é uma vontade, é um desejo, mas não acontece por força nenhuma. Desde há alguns anos, são claramente os filmes feitos por mulheres, as narrativas femininas, as mais interessantes, inspirantes, e as que o público tem que descobrir. Infelizmente, não é evidente ainda no cinema alemão abrangente encontrar filmes feitos por realizadoras nos cinemas e nos grandes cartazes. Mas há aí mais e mais, especialmente nas obras de “jovens” realizadoras, primeiras e segundas obras, que são as mais fortes. É aí que se encontra o que vale ser descoberto do cinema alemão, e não é por acaso que na programação da KINO haja desde há alguns anos não só uma maioria de primeiras e segundas obras, mas uma maioria de filmes feitos por mulheres. Também o que importa muito (e me inspira muito) são equipas de mulheres – nem sempre são realizadoras, mas também editoras, guionistas, equipas colectivas.

Para você, qual foi o momento mais marcante da KINO até hoje?

Foi a abertura da KINO deste ano. Celebrar um aniversário redondinho, na linda e grande sala do Cinema São Jorge; com um filme tão atual e forte, que precisou de um pouco de coragem para ser escolhido; com uma homenagem à mãe criadora da KINO, Isabel Lopes, que faleceu há 8 anos, e também ao meu pai [o crítico Michael Althen] que faleceu há 11 anos, mostrando a cena de abertura de um filme que ele fez sobre o cinema alemão (“Olhos nos Olhos”, na Cinemateca nos dias 14 e 17 de fevereiro), ouvindo a sua voz no Cinema São Jorge, foi tudo muito especial, emocionante, e importante.

Quais são os 3 filmes que realmente não podemos perder neste ano?

Para mim, são estas três primeiras obras incríveis, todas com um talento de produção inacreditável e mesagens e ideias hiper importantes: “Até podíamos estar mortos”, de Natalia Sinelnikova; “Os comuns”, de Sophie Linnenbaum; e “Sobre a Morte da Minha Mãe”, de Jessica Krummacher.

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