Há muitos anos atrás, o Universo estava coberto de trevas e os Elfos Negros governavam de forma suprema entre a escuridão, ameaçando tudo e todos com a sua malvadez. Uma das suas maiores armas? O Aether, uma espécie de energia que flui dentro de um hóspede e destrói tudo à sua volta. Entretanto os Elfos foram derrotados pelo exército de Asgard e durante vários milhares de anos a Paz se assentou no universo… até Jane Foster (Natalie Portman) descobrir por acidente o Aether e fazer com que os Elfos Negros voltem a acordar e tentar conquistar o Universo outra vez, fazendo com que Thor lidere as forças de Asgard para os impedir. Isto é o princípio no qual “Thor: The Dark World” se baseia, toda a força matriz que faz o filme desenrolar de cena para cena, iluminando-nos com uma mistura de Fantasia-Épica com Ficção-Científica. E se esse for o vosso tipo de coisa então estão na sala de cinema certa.

“Thor…” é o segundo filme da segunda fase cinematográfica da Marvel e que mostra a vida dos nossos já conhecidos “Avengers” depois dos eventos em Nova Iorque. Kenneth Branagh, o realizador do primeiro “Thor” foi substituído por Alan Taylor (conhecido recentemente pelos seus seis episódios de “Game of Thrones”) e essa diferença faz-se notar no aumento de batalhas e sequências a acorrer bem longe do nosso planeta, nos outros oito reinos mencionados por Thor no primeiro filme, onde Ciência e Magia se fundem numa só coisa e onde épicas batalhas ocorrem com regularidade. Isso dá-nos vontade de continuar a ver o filme com atenção, mas, e começando pelos pontos mais fracos de “Thor…”, os problemas aparecem quando o filme muda de direcção e se vira para o nosso mundo, mais concretamente o centro de Londres e as personagens humanas começam a ganhar mais e mais tempo de antena. Jane Foster continua a ser a personagem mais dispensável do universo filmográfico da Marvel e parece que até os argumentistas deste filme se aperceberam disso, preferindo fazer Jane desmaiar por uns minutos do que ter que a incluir nas cenas e as sequências onde Eric Selvig (Stellan Skarsgard) mostra os efeitos “alucinantes” que a possessão de Loki (Tom Hiddleston) teve na sua mente (quem não viu o “Avengers”, deve ter achado muita coisa confusa neste filme) são um pouco inoportunas. Anthony Hopkins dá-nos um Odin um tanto-quanto aborrecido e o vilão Malekith (Christopher Eccleston) acaba por ser uma explosão pequena demais para o tamanho do rastilho que nos foi dado.

Mas pontos negativos à-parte, “Thor…” acaba por ser uma boa diversão ao longo dos seus 120 minutos. Como mencionei anteriormente, existe algo de bastante atraente na forma como Asgard nos é mostrada, bastante mais palpável do que nos foi dada no primeiro filme, mais tridimensional, usando mesmo esse aspecto-chave do filme para nos focar para longe de algumas das fragilidades da narrativa, tornando-o melhor do que realmente é, iludindo-nos a apreciar mais o filme e a querer mais a cada minuto que passa. E por fim: Loki. O vilão tornado anti-herói tornado vilão tornado mártir tornado vilão tornado… a personagem dá tantas voltas ao longo dos três filmes onde aparece que por vezes nos esquecemos se ele é uma coisa ou outra, o que é bom, mantém-nos na expectativa e atraindo-nos com o seu carisma. “Eu sou Loki, de Asgard, e estou condenado com um propósito glorioso” são as suas palavras (numa tradução um pouco tosca) que acabam por definir a personagem da melhor forma. O vilão que toda a gente ama. As cenas entre Thor e Loki são as melhores ao longo do filme, onde há mais intensidade e onde o filme se torna mais sério.

“Thor: The Dark World” é então o filme para os fans irem descobrindo, cheio de referências e piadas privadas e o filme para os não-fans irem ver caso estejam interessados num pouco de fantasia/ficção-científica/drama-familiar/comédia. No fim de tudo acaba por ser apenas um filme divertido de se ver.

PS: E aproveito para mencionar também uma das duas cenas pós-créditos que faz a ligação com um dos filmes mais esperados da segunda fase da Marvel, onde duas personagens vão visitar um indivíduo que se dá pelo nome de Colector, interpretado por Benicio del Toro. A avaliar pela interpretação de Del Toro nos seus 3 minutos pós-créditos de “Thor…”, “Guardians of the Galaxy” vai-nos apresentar mais um excelente vilão para fazer companhia a Loki no panteão de vilões adorados pelo público.

Realização: Alan Taylor

Argumento: Christopher Yost, Christopher Markus

Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston

EUA/2013 – Ação/Aventura

Sinopse: Na sequência de “Thor” e “Os Vingadores” da Marvel, Thor luta para restabelecer a ordem em todo o cosmos, mas uma antiga raça liderada pelo vingativo Malekith regressa para mergulhar o universo nas trevas. Perante um inimigo que nem Odin nem Asgard conseguem vencer, Thor embarca na mais pessoal e perigosa aventura que alguma vez enfrentou, que o levará a reunir-se com Jane Foster e irá forçá-lo a sacrificar tudo para nos salvar.

«Thor: O Mundo das Trevas» – O regresso dos deuses do Norte
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