O que têm em comum os filmes “Estado de Guerra”, “Birdman”, “O Caso Spotlight” e “A Forma da Água”? A resposta é fácil: todos venceram o Óscar de Melhor Filme e todos tiveram a sua estreia mundial no conceituado Festival de Cinema de Veneza.

Dos três grandes festivais europeus de cinema – Berlim, Cannes, Veneza – este último é certamente aquele que mais vezes se alinha com as preferências da Academia norte-americana. Só nos últimos cinco anos, Veneza foi por três vezes a anfitriã do filme que mais tarde viria a arrebatar o troféu de Melhor Filme em Hollywood. Estar atento a Veneza é estar atento aos Óscares.

A edição deste ano estreou obras de Steven Soderbergh, James Gray, Roman Polanski, Roy Andersson, Pablo Larraín, Oliver Assayas, Hirokazu Koreeda e Noah Baumbach, entre outros. Também encheu os ecrãs com algumas das maiores estrelas de cinema da actualidade: Joaquin Phoenix, Meryl Streep, Adam Driver, Catherine Deneuve, Timothée Chalamet, Juliette Binoche, Kristen Stewart, Brad Pitt, Robert De Niro, Gary Oldman, Antonio Banderas, Scarlett Johansson, Laura Dern, Jean Dujardin, Louis Garrel, Mathieu Amalric, Ethan Hawke, Johnny Depp, Robert Pattinson, Penélope Cruz – a lista continua.

Introdução feita, passemos aos filmes que mais deram nas vistas na 76.ª edição do mais antigo festival de cinema do mundo:

  1. “Joker”, de Todd Phillips

Comecemos pelo vencedor do cobiçado Leão de Ouro, o prémio máximo do Festival de Veneza. Phillips, realizador de filmes como “Starsky & Hutch” (2004) e da trilogia “A Ressaca” (2009-2013), aventurou-se desta vez pelo drama e o thriller. Joaquin Phoenix desempenha o papel do vilão da DC Comics, representação que certamente lhe valerá uma nomeação ao Óscar de Melhor Actor. Também possíveis são as nomeações para Melhor Filme e Melhor Argumento Adaptado.

Estreia em Portugal: 3 Outubro 2019.

  1. “Marriage Story”, de Noah Baumbach

De longe o filme mais bem recebido do festival – e seguramente o que será mais apreciado pela Academia de Hollywood. “Marriage Story” narra a história de um casal, Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett Johansson), em processo de divórcio. Segundo a crítica, Baumbach, Driver e Johansson nunca estiveram melhor. Se em 2006 Baumbach fora nomeado apenas pelo argumento de “A Lula e a Baleia”, tal não se repetirá este ano. Tudo indica que a Academia reconhecerá o seu novo filme nas categorias de Melhor Filme, Realizador, Argumento Original, Actor, Atriz e Atriz Secundária (Laura Dern). Talvez até Actor Secundário (Alan Alda).

Ainda sem data de estreia em Portugal. Estreia na Netflix a 6 Dezembro 2019.

  1. “Ad Astra”, de James Gray

James Gray nunca foi dado a prémios, sejam eles Óscares ou não. Não lhe interessam. Não é realizador que dê muitas entrevistas, que faça publicidade aos seus filmes, que faça campanha para vencer Óscares – o que hoje em dia é praticamente obrigatório. Não é portanto surpresa que a sua obra, que inclui “Duplo Amor” (2008), “A Emigrante” (2013) e “A Cidade Perdida de Z” (2016), seja desconhecida por muitos.

Tudo isto pode mudar este ano com o seu novo filme de ficção científica. “Ad Astra” é protagonizado por Brad Pitt no papel de Roy McBride, astronauta que parte para o espaço em busca do pai (Tommy Lee Jones). O filme foi um sucesso junto dos críticos, mas permanece a dúvida se a Academia o receberá de igual forma. Talvez conseguirá nomeações para Efeitos Visuais, Montagem de Som, Mistura de Som, e Cinematografia (de Hoyte van Hoytema, director de fotografia de “Interstellar” e “Dunkirk”). Possível mas improvável será a categoria de Melhor Filme. Já Pitt não tem grande hipótese de nomeação, dado que a Academia preferirá nomeá-lo por “Era Uma Vez em… Hollywood”, não por “Ad Astra”.

Estreia em Portugal: 19 Setembro 2019.

  1. “The Laundromat”, de Steven Soderbergh

O novo filme de Steven Soderbergh – o seu segundo em 2019, depois de “High Flying Bird” – conta com um elenco de luxo: Meryl Streep, Gary Oldman e Antonio Banderas. Streep interpreta uma mera turista que acaba envolvida em esquemas ligados ao escândalo de 2015 dos Panama Papers. O filme tem-se provado divisivo entre os críticos, o que não é um bom augúrio. A Academia, fã incontestável de Streep e Oldman, é capaz de os nomear para Actriz Secundária e Actor Secundário, respectivamente. Também o argumento de Scott Z. Burns poderá ser reconhecido, dado o seu tema atual.

Ainda sem data de estreia em Portugal. Estreia na Netflix a 18 Outubro 2019.

  1. “The Truth”, de Hirokazu Koreeda

Entrando agora por território internacional, falemos de dois filmes que se poderão destacar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. O primeiro deles é “The Truth”, realizado pelo aclamado Hirokazu Koreeda, autor de obras-primas como “Ninguém Sabe” (2004) e “Shoplifters – Uma Família de Pequenos Ladrões” (2018). Este é o seu primeiro filme filmado fora do Japão e sem actores japoneses. Desta feita o elenco é composto por grandes nomes: Catherine Deneuve, Juliette Binoche e Ethan Hawke. A história é sobre a relação complicada entre uma mãe (Deneuve) e sua filha (Binoche).

Ainda sem data de estreia em Portugal.

  1. “A Herdade”, de Tiago Guedes

O último filme é nada mais, nada menos do que uma produção portuguesa. “A Herdade” acompanha várias gerações de uma família portuguesa, desde os anos 40 até à actualidade. Conta com a participação de Albano Jerónimo, Victoria Guerra e Sandra Faleiro. A Academia Portuguesa seleccionou “A Herdade” como o candidato de Portugal ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Pelo caminho ficaram títulos como “Raiva” de Sérgio Tréfaut (vencedor de Melhor Filme nos prémios Sophia), “Parque Mayer” de António-Pedro Vasconcelos (vencedor de Melhor Realizador nos mesmos prémios), e “Variações” de João Maia, o filme português mais visto do ano.

Estreia em Portugal: 19 Setembro 2019.