Filme em conversa: Avril et le monde truqué
Género: Animação
Ano de estreia: 2015
Realizadores: Christian Desmares, Frank Ekinci
Elenco: Marion Cotillard, Philipe Katerine, Jean Rochefort, Bouli Lanners
País: França

A acção deste filme decorre numa realidade alternativa onde Napoleão III morre numa explosão no laboratório onde o seu melhor cientista tentava criar uma nova espécie de super-soldados. Devido a isto, a Guerra Franco-Germânica nunca acontece e o Império Francês prospera…até certo ponto. Durante os próximos sessenta anos todos os grandes cientistas como Einstein, Tesla ou Marie Curie acabam por desaparecer antes de puderem criar as suas mais importantes invenções, deixando o mundo numa perpétua dependência do carvão. Em contrapartida, todos os restantes cientistas são forçados a trabalhar para o Império na sua luta contra outras super-potências pelos poucos recursos naturais ainda existentes. É neste mundo que nos é apresentada a jovem Avril – Marion Cotillard – que vive nas ruas de Paris com o seu gato falante – uma consequência das tentativas de criar super-soldados – e que tenta a todo o custo reunir-se com o seu avô e tentar perceber o que aconteceu aos seus pais no dia em que uma tempestade os levou.

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Durante pouco mais de hora-e-meia este filme enche-nos o olhar com uma animação rica, cheia de cenários grandiosos e pequenos quadros dignos de exposição numa parede, mas mistura também essa riqueza com uma série de rabiscos rápidos e descontraídos que contaminam todas as personagens de emoções e carácter. Há uma grande humanidade em todas personagens principais. A animação e o trabalho dos actores fundiram-se perfeitamente para criar personagens interessantes sejam elas melhor amigo e mentor de Avril, que é um gato falante chamado Darwin – Philipe Katerine –  ou o orgulhoso e trapalhão detective Pizoni – Bouli Lanners – da guarda imperial francesa. As personagens cheias de vida, criatividade e determinação contrastam com uma Paris desolada e cinzenta, vítima de décadas e décadas de engenhocas a vapor, mas sempre com o visual “cool” e Steampunk.

Duas Torres Eiffel, porque claramente tudo é melhor quando é a dobrar.

Duas Torres Eiffel, porque claramente tudo é melhor quando é a dobrar.

Já o argumento do filme foca-se na ideia de que mais do que poções mágicas para criar super-soldados ou gigantes impérios com poder absoluto, é o nosso cérebro que irá salvar o mundo e todos os que nele vivem, o que é sempre uma boa mensagem para passar aos mais novos. A arma mais forte do ser-humano é a sua criatividade e criatividade é claramente o que não faltou na hora de pegar numa história tão simples como a de uma rapariga a tentar encontrar a sua família em tempos de guerra e transforma-la numa aventura com fortalezas submarinas, mansões com pernas, pombos e ratos espiões e zeppelins movidos a pedais.

…E gatos intelectuais com grande sentido de humor.

…E gatos intelectuais com grande sentido de humor.

“Avril et le monde truqué” é uma das pérolas cinematográficas que encontrei recentemente. A animação é fantástica e criativa, a acção é entusiasmante, as personagens criam facilmente empatia com o público e acima de tudo este é um filme com um argumento inteligente que valoriza a criatividade e procura dar ao espectador algumas chances de magicar as suas próprias respostas lado a lado com a protagonista.

No que toca a filmes para toda a família, esta é sem dúvida uma aposta segura e ao que parece irá estrear em Outubro aqui em Portugal.