Há fins-de-semana que atravessam as salas de cinema sem perturbar o curso habitual das bilheteiras, discretos e sem grande rasto. E há outros que se impõem com a densidade de um acontecimento.
O de 23 a 26 de Abril pertence, sem hesitação, a esta segunda categoria. A estreia de “Michael”, cinebiografia dedicada a Michael Jackson, restituiu vigor ao mercado exibidor português e interrompeu a trajectória descendente observada na semana anterior.
No total, 130 038 espectadores procuraram as salas portuguesas durante o fim-de-semana, num resultado impulsionado pela forte entrada de “Michael”, mas igualmente sustentado pela permanência de títulos já consolidados em cartaz, como “Super Mario Galaxy: O Filme”, “Projecto Hail Mary” e “Saltitões”. Em conjunto, estes filmes garantiram uma oferta plural, capaz de convocar públicos distintos e devolver consistência ao circuito comercial.
O impacto da estreia fez-se sentir de imediato. Realizado por Antoine Fuqua, “Michael” entrou directamente para a liderança do top nacional, com 62 088 espectadores no fim-de-semana e 70 882 no total, incluindo as pré-estreias. Um arranque robusto que concentrou, por si só, quase metade de toda a afluência registada no período.
Interpretado por Jaafar Jackson, acompanhado por Colman Domingo e Nia Long, o filme propõe uma revisitação da vida, do génio criativo e das zonas de fractura de uma das figuras mais influentes da cultura popular contemporânea.
Atrás do novo líder manteve-se “Super Mario Galaxy: O Filme”, que somou 19 885 espectadores e já ultrapassa os 257 mil bilhetes vendidos. Apesar de uma quebra expectável após semanas particularmente fortes, a aventura inspirada no universo Nintendo preserva solidez comercial e confirma a vitalidade do cinema dirigido às famílias.
Na terceira posição surge “A Múmia”, releitura do clássico assinada por Lee Cronin. O filme levou 11 012 espectadores às salas e acumula 29 516 entradas em menos de duas semanas. O terror mantém, assim, uma presença consistente nas escolhas do público português.
“O Drama”, protagonizado por Zendaya e Robert Pattinson, ocupa o quarto lugar com 9 774 espectadores, sustentando um percurso regular e um total já superior aos 85 mil.
Logo depois aparece “Projecto Hail Mary”, que acrescentou 7 836 entradas, prolongando a boa resistência da ficção científica no mercado nacional. Protagonizado por Ryan Gosling e Sandra Hüller, o filme mantém-se entre as preferências do público português.
Entre os títulos de maior fôlego destaca-se ainda “Saltitões”, animação que ultrapassou os 172 mil espectadores e conseguiu mesmo crescer ligeiramente face à semana anterior.
No cinema português, a principal novidade foi “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira. O filme estreou em sétimo lugar com 3 224 espectadores, afirmando-se, para já, como a abertura nacional mais expressiva do ano.
Correndo por fora
Fecham o top 10 “Tudo Me Lembra de Ti”, em oitavo lugar, com 2 999 espectadores no fim-de-semana e um acumulado de 64 425 bilhetes vendidos ao longo de 32 dias de exibição. O filme continua a demonstrar estabilidade junto do público.
Na nona posição surge “Ladrões da Treta”, que somou 1 105 espectadores no período e alcança 24 459 entradas em 25 dias nas salas. A comédia mantém-se como uma opção regular entre os títulos em cartaz.
A décima posição pertence à estreia de “A Mulher Mais Rica do Mundo”, que arrecadou 1 096 espectadores no fim-de-semana de lançamento. Realizado por Thierry Klifa e protagonizado por Isabelle Huppert, o filme inspira-se no caso real de Liliane Bettencourt, herdeira do império L’Oréal, para construir um drama marcado por poder, fortuna e relações ambíguas.
Outros títulos
Fora do top 10, as restantes estreias tiveram expressão mais discreta nas bilheteiras. O principal destaque vai para o documentário “My Way – A História de Uma Canção”, de Lisa Azuelos e Thierry Teston, que reuniu 486 espectadores ao revisitar a trajectória de um dos temas mais célebres da música popular, eternizado na voz de Frank Sinatra.
Seguiu-se “Chão Verde de Pássaros Escritos”, de Sandra Inês Cruz, com 163 espectadores.
Já “Cherchez la Femme”, de António da Cunha Telles, e “Aprender”, de Claire Simon, registaram 82 espectadores cada. A fechar este grupo surge “A Rapariga que Sabia Demais”, de Frédéric Hambalek, com 50 bilhetes vendidos no fim-de-semana.
Dados do ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, podendo ainda ser actualizados com resultados adicionais de salas.

