A caçadora é Aisholpan Nurgaiv, uma menina de 13 anos que vive numa Mongólia longínqua e quer tornar-se na primeira mulher caçadora de águias na família. Ela vive o ano letivo nos dormitórios da escola onde estuda e, aos fins de semana, desloca-se à sua tribo, nómada, onde concretiza com a ajuda do seu pai, Rys Nurgaiv, o seu sonho de treinar uma águia para praticar a caça, uma tradição tribal que apenas passa de pais para filhos.

A caça com águias reais é já uma prática ancestral, vinda dos povos recoletores da Mongólia, onde os caçadores usam águias reais treinadas como auxiliares para a captura de animais. É um estilo de vida milenar, e a ideia de ter uma mulher caçadora, a primeira numa tradição completamente vivida pelo género masculino, não é bem vista pelas gerações mais antigas.

A longa-metragem é muitas vezes apelidada de “documentário”, apesar de essa não ser a designação mais adequada. De facto, existe um registo do quotidiano da família Nurgaiv e a documentação do sonho de uma menina de 13 anos de iniciar, contra todos, um legado, no feminino, na tradição da caça com águias reais. Porém, essa documentação escolhe um caminho narrativo bastante básico, aproveitando a fórmula moralizadora, já bem conhecida por todos, da heroína que concretiza o seu sonho contra tudo e todos, tudo isto numa mescla de uma trilha sonora épica, uma narração inspiracional desnecessária, por Daisy Riddley, e imagens naturais, bastante bonitas, porém moldadas à boa moda das produções ocidentais. Sumarizando, uma formatação à documentário do National Geographic.

É bastante difícil criar uma peça documental que corresponda 100% à realidade vivida, mas nota-se que algumas sequências foram “encenadas”: o enredo decorre sem grandes dificuldades, tudo corre estranhamente bem – a rapariga apanha uma águia, domestica-a, ganha o concurso anual e caça a sua primeira raposa, num Inverno quase primitivo. A câmara voa e captura uma cinematografia aérea espantosa e filma cenas bastante íntimas. Tudo isto com a típica mensagem do “acredita e tu consegues”, neste caso, criar uma “nova geração” feminina e abalar as convenções patriarcais.

A Caçadora e a Águia poderia ter seguido um caminho mais simples, respeitando a misticidade entre a menina e águia e estudado a tradição e a modernidade o laço que as unem. Não deixa de ser uma história convidativa, valendo apenas pelo tema novo, e pela simplicidade bonita de uma família.

Realização: Otto Bell
Argumento: Otto Bell
Elenco: Aisholpan Nurgaiv, Daisy Ridley, Rys Nurgaiv
Polónia/2016 – Documentário
Sinopse
: Narrada através de imagens de tirar o fôlego das belas paisagens mongóis, esta é a história de Aisholpan, uma menina de treze anos que sonha em tornar-se a primeira mulher da sua família (após 12 gerações), a ser domadora de águias na Mongólia. Acompanhamos a sua trajetória e treino numa profissão e arte que é considerada imprópria para mulheres, obstáculo que Aisholpan lutará para ultrapassar.

«A Caçadora e a Águia» – A Águia apenas Plana
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