“A Flor do Buriti”, novo filme da dupla Salaviza e Nader Messora sobre o povo indígena brasileiro Krahô, estreia em março nos cinemas

"A Flor do Buriti", de João Salaviza e Renée Nader Messora
"A Flor do Buriti", de João Salaviza e Renée Nader Messora

Apresentado na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2023, onde venceu o prémio Elenco, “A Flor do Buriti”, o novo filme da dupla João Salaviza e Renée Nader Messora, que segue mesma linha que o primeiro filme, “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos” (2018), sobre o povo indígena brasileiro Krahô, estreia a 21 de março nas salas de cinema portuguesas.

Cinco anos depois da estreia de “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, este filme “traz um dos temas mais urgentes da atualidade: a luta pela terra e as diferentes formas de resistência implementadas pela comunidade da aldeia Pedra Branca, situada na região Tocantins no Brasil”, segundo comunicado de imprensa.

“O filme nasce do desejo em pensar a relação dos Krahô com a terra, pensar em como essa relação vai sendo elaborada pela comunidade através dos tempos. As diferentes violências sofridas pelos Krahô nos últimos 100 anos também alavancaram um movimento de cuidado e reivindicação da terra como bem maior, condição primeira para que a comunidade possa viver dignamente e no exercício pleno de sua cultura”, explica Renée Nader Messora.

Filmado durante quinze meses, em película 16mm, dentro da Terra Indígena Kraholândia“A Flor do Buriti” integra uma equipa e um elenco de não atores indígenas e não indígenas. Baseado em conversas e na realidade atual da comunidade, o filme “atravessa os últimos 80 anos dos Krahô, dando a conhecer ao espectador um massacre ocorrido em 1940, onde morreram mais de dezenas de indígenas. Perpetrado por dois fazendeiros da região, as violências praticadas naquele momento continuam a ecoar na memória das novas gerações.”

A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora, no Festival de Cannes 2023
“A Flor do Buriti”, de João Salaviza e Renée Nader Messora

“A gente não trabalha com o argumento fechado. A questão da terra é a espinha dorsal do filme. Propusemos aos atores trabalhar a partir desse eixo, criar um filme que pudesse viajar pelos tempos, pela memória, pelos mitos, mas, que, ao mesmo tempo fosse uma construção em aberto que faríamos enquanto fossemos filmando. A narrativa foi sendo construída com a Patpro, o Hyjnõ e o Ihjãc, que assinam o argumento”, explica João Salaviza.

“A Flor do Buriti”, produzido pela Karõ Filmes, uma co-produção entre Portugal e Brasil, com apoio do ICA, RTP e ANCINE, estreia dia 21 de março pelas mãos da distribuidora Desforra Apache.

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