Hoje em dia, o género de terror no cinema encontra-se num período de estagnação, causado principalmente pelo estado atual da sociedade em que estamos inseridos. A globalização, que traz com ela a massificação de produtos culturais, é o grande influenciador. Cria-se tendências, normas culturais para serem seguidas, artefactos culturais para as massas acabando, assim, com a criatividade, inspiração e diversidade.

As obras deste género usam e abusam de velhas fórmulas, como os famosos jump scares, com enredos rasos e variadas tentativas de sustos. “A Semente do Mal” não foge disso – é mais um produto da massificação da cultura.

Sintetizando, Adam e Lisa são um jovem casal que se mudam para uma bela mansão, próxima da universidade onde Adam dará aulas. Dentro de casa, o casal encontra uma encomenda enviada pela irmã de Lisa, uma espécie de um presente de boas vindas: uma caixa de madeira que aparentemente guarda um poder, uma força ou então espírito maléfico. Coincidência ou não, daí a poucos dias, Lisa perde o bebé e começa a ter experiências paranormais em casa, que se tornam cada vez mais intensas.

Comecemos pelas coisas boas: toda a obra começa promissora (dado que foi produzida pela equipa de The Collector, 2009) e mostra potencial, ambientando todos os elementos num clima misterioso, mas potencial esse que desaparece ao longo da duração da obra tornando-se redundante; visualmente, é decente, mostra aptidão para criar timings de acordo com o desenrolar da história, e a fotografia é atmosférica o suficiente para atrair o público; o que se salva sempre nestas longas-metragens é a trilha sonora, que aqui é assombrosa, sem ser demasiado obvio ou “metediça”. A performance dos atores até é bastante razoável: não demonstra ser desconfortável nem robótica, se bem que não parece haver grande química entre o casal, e que o elenco no seu geral carece de criar o chamado character development.

O maior problema de “A Semente do Mal” é indubitavelmente, o seu guião. Existe poucos momentos de tensão, e os tais jump scares tornam-se óbvios quando estão na iminência de aparecer; é bastante previsível e aborrecido pelas cenas que já nos são familiares neste género; não há grande explicação para os eventos que ocorrem ao longo da obra, o que provoca confusão, desinteresse e distância na audiência.

A Evocação (2013) abriu caminho para uma possível ressurreição do cinema de terror espiritual, abrindo portas para obras como “A Semente do Mal” poderem florescer. Infelizmente “A Semente do Mal” foi apenas uma imitação pobre e sem coesão narrativa, ficando muito aquém das expectativas.

Realização: Michael Winnick
Argumento: Michael Winnick
Elenco: Bojana Novaković, Josh Stewart, Delroy Lindo, Melissa Bolona, Yvette Yates, Luke Edwards, Jaqueline Fleming, Ben VanderMey, Bailee MyKell Cowperthwaite, Joy Kate Lawson, Jo-Ann Robinson, Presley Richardson
EUA/2018 – Thriller/Terror
Sinopse
: Quando Adam (Josh Stewart) aceita um emprego como professor universitário, ele e a sua esposa Lisa (Bojana Novakovic), que se encontra grávida, mudam-se para um novo lar nos arredores da cidade. Tudo parece perfeito, até que Lisa sofre um aborto em circunstâncias misteriosas.

«A Semente do Mal» – A semente do fracasso
1.0Valor Total
Votação do Leitor 0 Votos