Ativista palestiniano Awdah Hathaleen, que participou em “No Other Land”, morto por colono israelita

Awdah Hathaleen, 31 anos, consultor no documentário, foi morto esta segunda feira na Cisjordânia. Foi o correalizador de “No Other Land”, o jornalista israelita Yuval Abraham, que relatou o sucedido
Awdah Hathaleen Awdah Hathaleen
©Basel Adra/X

O ativista palestiniano Awdah Hathaleen que participou no documentário “No Other Land”, galardoado com o Óscar de Melhor Documentário, foi morto por um colono israelita identificado como sendo Yinon Levi.

Awdah Hathaleen, 31 anos, consultor no documentário, foi morto esta segunda feira na Cisjordânia. Foi o correalizador de “No Other Land”, o jornalista israelita Yuval Abraham, que relatou o sucedido.

Hathaleen foi morto na aldeia de Umm al-Khair na comunidade de Masafer Yatta, na Cisjordânia, onde se centra o documentário. “No Other Land”, rodado entre 2019 e 2023, mostra de forma crua a violência e destruição causada pelos soldados e colonos israelitas ao mesmo tempo que os ativistas palestinianos resistem à expulsão das suas terras.

A polícia israelita deteve um cidadão no local do crime e embora não o tenha identificado na altura, os órgãos de comunicação social acabariam por confirmar a sua identidade. As mesmas autoridades israelitas libertaram mais tarde Yinon Levi para que permanecesse em prisão domiciliária enquanto decorre a investigação, ao mesmo tempo que recusaram deixar que o corpo de Hathaleen pudesse ser enterrado pela família.

Yinon Levi pertence a um grupo violento extremista da Cisjordânia a que haviam sido impostas sanções por Joe Biden em fevereiro de 2024. Essas sanções foram depois levantadas pelo governo de Donald Trump em janeiro de 2025.

A tropas israelitas detiveram mais dois ativistas estrangeiros, mais tarde, naquela zona e o exército declarou a aldeia de Umm al-Khair uma zona militar fechada, bloqueando o acesso aos jornalistas.

Awdah Hathaleen, para além de ativista, era professor de inglês e foi vital para o trabalho do coletivo responsável por “No Other Land”, dado que era o apoio de jornalistas que trabalham naquela zona.

Os realizadores do documentário não são alheios à violência que grassa no local, tendo Hamdan Ballal, por exemplo, sido agredido e levado de sua casa por soldados israelitas, embora finalmente libertado. O primo de Basel Adra, um dos realizadores, é mostrado em “No Other Land” a ser baleado.