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Foram hoje revelados os dados finais do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) sobre os mercados cinematográficos em Portugal no ano de 2013. Uma primeira conclusão imediata é que os resultados continuam a ser muito maus. Se em 2012 o número de espectadores nas salas de cinema em Portugal foi de 13,8 milhões e a receita bruta de bilheteira foi de 73,9 milhões de euros, em 2013 foram às salas portuguesas 12,5 milhões de espectadores (perfazendo uma média de 1,2 espectadores por habitante) e a receita bruta foi de bilheteira foi de 65,5 milhões de euros, representando um decréscimo de 9,4% e 11,5% em relação ao ano transato, respetivamente. Apenas os meses de junho e dezembro fizeram mais receita e mais espectadores do que em 2012. No entanto, o mês mais lucrativo do ano foi agosto, que levou 1.550.524 espectadores e obteve uma receita bruta de 8.236.119,58€, muito provavelmente por conta de “A Gaiola Dourada”.

Quanto às estreias, há a assinalar 348 longas-metragens, 165 das quais com origem nos EUA e 138 de origem europeia. Os filmes norte-americanos foram vistos por 71,6% e os europeus por 19,5% do total dos espectadores. A produção francesa do luso-francês Ruben Alves, “A Gaiola Dourada”, foi o mais visto em 2013, registando 756 mil espectadores e uma receita de bilheteira de € 3,9 milhões. O filme sobre uma família de emigrantes portugueses em Paris que quer regressar a Portugal, ultrapassou assim “Velocidade Furiosa 6″ (426 mil) e “Frozen – O Reino do Gelo″ (404 mil), que são agora o segundo e terceiro filmes mais vistos do ano, respectivamente. “Monstros: A Universidade” ocupa o décimo lugar da tabela dos 10 filmes mais vistos do ano, com 248 mil espectadores. Segundo os dados do ICA, “A Gaiola Dourada” ocupa a posição sete dos 40 filmes mais vistos em Portugal entre 2004 a 2013, à frente de grandes produções de Hollywood.

Entre os filmes nacionais, “7 Pecados Rurais” foi o mais visto com 287 mil espectadores e 1,5 milhões de euros de receita de bilheteira, ocupando ainda o 2º lugar no ranking dos 40 filmes portugueses mais vistos entre 2004 a 2013 e o 5º no ranking geral. “Comboio Noturno Para Lisboa”, do realizador dinamarquês Bille August, foi o segundo filme com co-produção portuguesa mais vista do ano com 58.680 espectadores e “RPG” ocupou o terceiro lugar com 22.855 espectadores.

Foram produzidas 23 obras cinematográficas nacionais com o apoio financeiro do ICA, das quais 12 longas-metragens (7 de ficção e 5 documentários) e 11 curtas-metragens (7 de ficção, 3 de animação e 1 documentários), verificando-se, assim, uma redução de 41%, ou seja, um decréscimo de 16 obras face à produção de 2012. Estes resultados são resultantes da grande ferida que o cinema português sofreu em 2012, o “ano zero”. Verifica-se agora as consequências desse ano negro ao nível da produção cinematográfica nacional, que resultou num muito menor número de estreias nacionais. Dois anos depois de o governo de Passos Coelho ter cortado em 100% os apoios ao cinema português, e da nova Lei do Cinema ter sido aprovada (julho de 2012), o ICA abriu em janeiro de 2013 os novos concursos de apoio à produção cinematográfica e audiovisual para 2013. No entanto, caso a Zon, Optimus, Meo, Cabovisão e Vodafone não paguem a taxa anual prevista na Lei do Cinema, corre-se o sério risco de se repetir outro “ano zero do cinema português”.

Uma das principais causas destes preocupantes resultados nas salas de cinema nacionais, deve-se ao facto de terem sido fechadas dezenas de salas por todo o país. Foram várias as cidades de Portugal que viram as suas salas de cinema encerrarem e em alguns casos, houve cidades sem uma única sala aberta. “Os portugueses vão menos ao cinema. Descarregam da net”. A crise, o aumento do desemprego e o aumento do preço dos bilhetes de cinema são algumas das possíveis razões que levam a encerrar cinemas. Na área da exibição cinematográfica, a ZON Lusomundo Cinemas foi líder do setor com uma quota de 63,2%, seguindo-se a UCI (12,9%), NLC (6,5%) e a Socorama (5,1%) que, no seu conjunto, representaram 87,7% do mercado nacional. A propósito desta matéria sugerimos a leitura do seguinte artigo, “Cinemas fecham portas por todo o país” (ler aqui).

“Das obras premiadas em 2013, destaca-se a brilhante carreira do documentário ‘E Agora? Lembra-me’, de Joaquim Pinto que se iniciou, a nível internacional, no Festival de Cinema de Locarno com 3 prémios (Prémio Especial do Júri, Menção Especial do Júri FIPRESCI e Melhor Realizador, por parte do Júri Jovem). Foi vencedor em Buenos Aires, Argentina, no Festival Internacional de Cinema Documental, no Chile, no FICVALDIVIA (Festival Internacional de Cinema de Valdívia), e nos Encontros Internacionais do Documentário, em Montréal, Canadá. A nível nacional, esta obra foi a grande vencedora da 13ª edição do DOCLISBOA e foi ainda galardoada no Festival de Cinema Luso-Brasileiro (Prémio Especial do Júri, Prémio da Crítica, Prémio dos Cineclubes e Prémio do Público).”

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Fonte: Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA)