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O Porto acolhe mais uma vez, nos dias da revolução, o Desobedoc – Mostra de Cinema Insubmisso. A mostra de documentários no cinema Trindade regressa para uma segunda edição a realizar-se entre os dias 24 e 26 de abril, com entrada livre.

No ano em que se comemoram os 41 anos do 25 de abril e 40 do PREC (processo revolucionário em curso), o Desobedoc, organizado pelo Bloco de Esquerda em parceria com a rede Transform, apresenta um programa diversificado que passa desde uma homenagem a Manoel de Oliveira, a algumas estreias nacionais e internacionais, a clássicos do cinema, a filmes de animação e a filmes de hoje, “sobre a realidade da nossa cidade, do nosso país, mas também da Grécia, da Espanha ou da Palestina”.

A mostra arranca no dia 24 de abril com a homenagem ao recentemente falecido mestre Manoel de Oliveira, com a sua obra prima “A Caça” (1964), às 18h, na Sala Zeca Afonso. “Os Est Vivants” (2015) de Carmen Castillo e “Speculation Nation” (2014) de Bill Brown e Sabine Gruffat são as duas estreias nacionais. No cinema de animação será exibido “Fuligem” (2014) de David Doutey e Vasco Sá“O Menino e O Mundo” (2013) de Alê Abreu. Entre o vasto programa destacamos ainda “Zero em Comportamento” (1933) de Jean Vigo, “O Fundo do Ar é Vermelho Partes I e II” (1977) de Chris Marker, “O Espírito de 45” (2013) de Ken Loach, “O Meu Outro País” (2013) de Solveig Nordlund “O Medo à Espreita” (2015) de Marta Pessoa.

A sessão internacionalista “Desobedecer à Austeridade” realiza-se a 26 de abril, às 15h na Sala Zeca Afonso, com Jorge Campos, José Soeira, Marisa Matias, Catarina Martins e Miguel Urban (o ativista social do partido político espanhol “Podemos”).

O Desobedoc começa, já na segunda edição, a fundir-se na cidade do Porto. “Esta cidade tem uma relação íntima com a história do Cinema Português. Foi aqui que se começou a fazer cinema. São do Porto grandes cineastas, como Manoel de Oliveira, que filmou no Porto a sua primeira longa-metragem, Aniki-Bobó. Aqui se levou a cabo a primeira experiência de uma produção que se pretendeu de escala semelhante à de alguns dos principais estúdios europeus dos anos 20. Aqui nasceram salas de cinema que viriam a constituir-se como património e imaginário da cidade. Aqui se consolidou um espírito rebelde e desobediente, o qual, associando a cinefilia à intervenção cidadã, não só contribuiu para a resistência à ditadura do Estado Novo, mas também permitiu a participação criativa na busca de novos rumos para o cinema português.”

“Nesta mostra de 3 dias de cinema documental, vamos exercer mais uma vez o direito à memória e à imaginação. Num país onde não existe Ministério da Cultura, numa cidade que todos os dias vê tanta gente partir, voltar a abrir o Trindade por três dias é, em si mesmo, um ato de resistência. Estão por isso convidados a ser cúmplices. Como sempre, a entrada é livre e o espírito insubmisso.”

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Fonte: Desobedoc