Confesso que no inicio tinha alguma curiosidade em ver este filme, mas à medida que fui sabendo mais sobre ele, fui perdendo o interesse. Mas decidi arriscar e fui ve-lo ao cinema. Valeu bem a pena o dinheiro gasto. Estava à espera de pior, mas foi uma boa surpresa. O realizador de “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” é Eric Roth, que relizou “O Leitor” (2008) e “Billy Elliot” (2000). Este último é talvez a sua melhor obra até hoje, onde o protagonista do filme era um jovem, Jamie Bell, que foi um talento descoberto. O mesmo aconteceu neste seu novo filme, onde o protagonista é um jovem rapaz, Thomas Horn, que é outra descoberta de talento.

A história é sobre Oskar (Thomas Horn) um jovem tímido de 11 anos, que desde cedo mostrou ser um menino-prodígio e que sempre gostou de aventuras e de explorar, tudo isto são brincadeiras que faz com o pai (Tom Hanks), de quem sempre gostou muito. Infelizmente o seu pai é uma das vitimas do atentado terrorista do 11 de setembro. Oskar descobre um objeto (uma chave) que pensa estar ligado ao seu pai, pelo que parte numa longa viagem por Nova Iorque, com um velho mudo (Max von Sydow), à procura de uma última mensagem que o seu pai lhe tenha deixado.

O argumento, escrito por Eric Roth, baseado na obra homónima de Jonathan Safran Foer, é interessante, mas contem algumas fragilidades que tornam o filme mais simplista na abordagem que faz aos atentados do 11 de setembro, “o pior dia” dos americanos. Peca por não ter explorado mais afundo a questão da morte, da perda, do luto, que o 11 de setembro provocou. Nota-se que os americanos ainda tem muita dificuldade em lidar com este tema, o que de certa forma é compreensível, pois foi talvez o maior atentado terrorista feito até hoje. Os EUA não estavam preparados psicologicamente para uma algo desta magnitude. O filme torna-se portanto num melodrama familiar, capaz de emocionar os mais sensíveis. Há todo um conjunto de eventos que na vida real dificilmente aconteceriam. No entanto se partirmos do principio, desde o inicio do filme, que tudo aquilo é possível, o filme faz mais sentido.

A história centra-se em Oskar, que tem de aprender a lidar com a perda do pai. Essa trágica perda só o vai tornar uma criança infeliz e solitária. A maneira que Oskar encontra para lidar com esta perda é saber o significado da chave que encontrou, que pensa que o seu pai lhe deixou. Fica então obcecado por encontrar o verdadeiro sentido daquele objecto. Mas esta sua obsessão vai-lhe sair caro, pois arrisca-se a sofrer bastante, afetando também a sua mãe. Oskar no final do filme descobre que nem tudo na vida tem que fazer sentido. Esta é a principal mensagem do filme. Para que serve esta chave? Porque é que dois aviões foram contra as torres? São perguntas que vivem na cabeça de Oskar.

O elenco é de luxo, onde regista excelentes interpretações, composto por, Tom Hanks, Sandra Bullock, Max von Sydow e Thomas Horn. Max von Sydow é ainda um dos melhores atores europeus vivo. Aos 82 anos ainda é capaz de mostrar que consegue ser o grande ator que foi em “Pelle, o Conquistador” (1987). Sem um único diálogo neste filme, valeu-lhe uma nomeação para o Óscar de Melhor Ator Secundário, que merecia certamente ganhar, mas Plummer também o merecia. O outro grande ator deste filme é Thomas Horn, que como referi no inicio, foi uma grande descoberta do realizador. Thomas mostra-se bastante à vontade e confiante no seu papel, dando provas de um talento nato.

O filme foi ainda nomeado para o Óscar de Melhor Filme, sinceramente não acho que merecesse esta nomeação, apesar de ser um bom filme. Mas percebe-se a sua nomeação, pois os americanos ficaram emocionados com este tema, com este filme. Era preferível terem nomeado Thomas Horn para Melhor Ator, substituindo assim Clooney. Nota positiva ainda para a banda sonora de Alexandre Desplat e para a edição.

Com uma boa realização, este é um filme cheio de fortes mensagens, emoções e um outro olhar sobre o 11 de setembro. Se tivesse focado outros aspetos talvez fosse melhor, no entanto é um filme que vale a pena ver.

Realização: Stephen Daldry

Argumento: Eric Roth

Elenco: Thomas Horn, Max von Sydow, Tom Hanks, Sandra Bullock

EUA/2011 – Drama

Sinopse: Oskar Schell, de 11 anos, é uma criança excepcional: inventor amador, francófilo, pacifista. Depois de encontrar uma misteriosa chave que pertencia ao seu pai, que morreu no 11 de Setembro no Wall Trade Center, ele embarca numa excepcional viagem – uma urgente e secreta pesquisa através dos cinco distritos de Nova Iorque. Enquanto vagueia pela cidade, Oskar encontra uma grande variedade de diferentes pessoas, cada uma sobrevivente no seu próprio modo. No final, a viagem de Oskar termina onde começa, mas com o consolo da maior experiência humana: o amor.

«Extremamente Alto, Incrivelmente Perto» - Outro olhar sobre o luto do 11 de setembro
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