Chega-nos mais um filme do já consagrado realizador sul coreano Kim Ki-duk, “Humano, Espaço, Tempo e Humano”, que traz o acarinhado realizador de novo às telas do Fantasporto. Há uma estética de espaços que goza de preferência dos ambientes deste realizador: barcos, água e personagens femininas com peso marcam as reflexões e metáforas que costumam acompanhar as suas narrativas.

A partir de um navio de guerra, agora a ser usado para viagens recreativas, desenrola-se todo um jogo de sobrevivência onde cada personagem vai representar um estereótipo marcadíssimo, onde quase não há denominações individuais, de uma sociedade contemporânea no limite dos valores e corrupção. Uma alegoria religiosa onde é cada um por si e ninguém por ninguém. Este é o mote ao desafio pela humanidade, o seu fim e o seu recomeço. Até onde vão os nossos limites, o que estamos dispostos a fazer para sobreviver. Vale tudo para sobreviver? Até onde nos leva a sobrevivência?

É uma arca de Noé com Adão e Eva que nos projeta para o ciclo da vida, numa visão bem diferente dos seus trabalhos anteriores. O título reporta diretamente para os capítulos que dividem a história. Uma critica bem atual face aos desafios que nos são colocados todos os dias.

Para quem é já fã dos trabalhos de Kim Ki-duk, este é mais um que não desilude. A história segue o seu ritmo sem pressas, numa mescla dos comportamentos que bem o caracterizam: sexo, violência, corrupção, drogas, jogo… tudo nesta barca do inferno onde parece não haver inocentes.