Cannes 2014 - Dia 5_1

No quinto dia do Festival de Cannes estreou, dos EUA, o western “The Homesman” e, da Itália, o drama “Le Meraviglie”.

O primeiro filme é o western clássico americano, que não convenceu todo o público e crítica. Considerado demasiado comercial para estar a competir em Cannes. Esta é a segunda longa-metragem realizada por Tommy Lee Jones que teve direito a exibição no Festival de Cannes, depois de em 2005 ter ganho o prémio de Melhor Ator com “Os Três Enterros de um Homem”. No Nebrasca do século XIX, Tommy Lee Jones embarca numa carruagem com Hilary Swank pelas planícies, em direção ao Iowa. O filme inspira-se em “Chariot des Damnés (The Homesman), romance de Glendon Swarthout. “The Homesman” tem características de western, mesmo se o ator e realizador prefere não o qualificar desta forma: “Western é uma palavra destroçada por ser utilizada por muitas pessoas e que não tem realmente sentido”.

Segundo Lee Jones, em conferência de imprensa: “Lemos muitos livros, e um em particular sobre a loucura, nomeadamente nas mulheres no século 19. Aprendemos como tratar essas diferentes patologias. Pensava-se, na época, que para curar a esquizofrenia, era preciso mergulhar as pessoas em água gelada durante oito horas.”. Segundo Luc Besson:Este filme mostra uma visão dos Estados Unidos desconhecida na Europa. É uma visão muito exótica para nós, não sabemos que os tempos eram assim difíceis. Conhecemos o sonho americano mas é bom ver qual é a situação antes desse sonho.”.

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O segundo filme do dia, é a segunda longa-metragem de ficção de Alice Rohrwacher e a sua primeira presença na competição, em Cannes. A cineasta que tem experiência na realização de documentários, adoptou um estilo neorealista ao seu filme de ficção. O filme, que conta no elenco com Monica Bellucci, Alba Rohrwacher André Hennicke, conta o dia a dia transtornado de uma família de apicultores vivendo em autarcia. Através desta história, a cineasta desejou abordar a questão da destruição das identidades regionais na Itália e as dificuldades encontradas pelos territórios afastados.

A realizadora falou do aspeto autobiográfico do seu filme e explica depois o mesmo: “É um filme muito pessoal, que põe em cena um ambiente que me é familiar. Este filme descreve uma família tal como a conhecemos todos. Não é uma história autobiográfica mesmo se, efetivamente, a profissão de apicultor é a profissão do meu pai. Apetecia-me trabalhar e sentir-me em casa e é por esta razão que as abelhas fazem parte do cenário. É uma fábula um pouco crua, enraizada no real. Podemo-la ler como a história de um rei e da sua rainha. Fizemos um trabalho que se aproxima da realidade de forma a deixar um espaço ao espectador numa época em que ele tem pouco. As minhas influências cinematográficas são muitas. Não me inspiro só no cinema, mas também na literatura e noutras formas de expressão, como a vida!”. O conto sobre a passagem da juventude para a idade adulta, “Le Meraviglie”, foi bastante apreciado pela crítica, tornando-se num forte candidato à Palma de Ouro.