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“Uma pequena silhueta patética e mal vestida, um chapéu de coco amolgado, umas calças largas, um botão de bigode, uns sapatos enormes e uma bengala pretensiosa”. Falo de Charlot, o vagabundo, uma complexa personagem que é parte patife, parte figura patética, parte herói, parte romântico, parte crítico social, parte cavalheiro, parte poeta, parte sonhador. Este, é o meu Charlot!

Autor do texto: Tiago Santos

“Charles Chaplin – A vida imortal de um vagabundo”

Charlôt é provavelmente umas das primeira personagem de cinema que me foi dada a conhecer. The Tramp, como ficou internacionalmente conhecido, é uma das primeiras personagens universais criadas na sétima arte. As suas peripécias mostram como o cinema tem o poder de comunicar com as massas e que é sempre possível conquistar as nossas paixões, lutar e conquistar nossos direitos, e criar uma sociedade justa onde todos têm o direito à felicidade.

Charles Chaplin, o criador de Charlôt, foi um dos principais responsáveis pela globalização do cinema, mas principalmente pela dimensão comunicativa desta arte. É com o Charlôt, utilizando a comédia, que Chaplin mostra a sua preocupação com o rumo da sociedade. Desde as desigualdades sociais em City Lights e The Kid, até à mecanização do Homem, pela sua especialização, tão própria do movimento Fordista, aquando da introdução da linha de montagem, com Modern Times. Pela comédia, Chaplin comunicava sem o dizer, demonstrando que o Cinema não necessitava dos talkies para ser compreendido, mas que este poderia ser universal pela compreensão da imagem e do som. No entanto é no mesmo filme que Chaplin fala no cinema pela primeira vez, numa paródia aos próprios talkies. Sing, Nevermind the Words, é o mote para este feito inédito em que canta com um sotaque franco- italiano, sem que seja dito algo de compreensível, criticando os argumentos vazios , repetitivos e sem significado que muita da produção cinematográfica apresenta.

Charles Chaplin é igualmente um dos principais promotores dos interesses dos artistas do seu tempo. Em 1919 em conjunto com D.W. Griffith, Mary Pickford e Dougls Fairbanks, funda a United Artists, uma das principais produtoras de cinema do mundo, introduzindo e estabelecendo a produção de cinema independente dos interesses dos estúdios comerciais, iniciando a era dourada do cinema mudo nos EUA.

O poder midiático que o Cinema de Chaplin possui, muito antes de existir a definição de poder midiático, sempre preocupou o governo dos Estados Unidos. Este facto é observável no filme biográfico Chaplin (1992). Durante a sua carreira, Chaplin sempre procurou representar a igualdade entre classes e mostrar uma perspectiva crítica sobre a sociedade e o mundo. Ao criticar os totalitarismo político que se manifestavam um pouco por todo o mundo, nas personagens de Adenoid Hynkel e Benzino Napaloni, em The Great Dictator é acusado de simpatizar com o comunismo. A carreira de Chaplin prossegue com Monsier Verdoux e Limelight, filmes que obtêm sucesso junto do público mas que culminam com o seu banimento dos Estados Unidos. Chaplin não mais havia de regressar a este país, que o consagrou como uma estrela mundial, até à entrega do seu Óscar honorífico pela Academia em 1972. O seu regresso foi permitido por apenas 10 dias. Chaplin regressou com um enorme entusiasmo e ironizou, afinal Eles ainda tinham medo dele.

O legado da obra e da vida Chaplin fica como exemplo pela perseverança dos seus ideais nas suas obras e pelas suas origens humildes, que nos mostram que é possível materializar os nossos sonhos.

Obrigado, Tiago Santos, pela colaboração.

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