Num Universo onde as salas de cinema estão constantemente a passar filmes de super-heróis “Deadpool” apresenta-se como um filme a destacar-se pela diferença. A fórmula habitual deste tipo de filmes continua a existir aqui, o (anti-)herói, a rapariga, o ajudante cómico e o vilão sem remorsos, mas desta vez o realizador Tim Miller e os argumentistas Paul Wernick e Rhett Reese tentaram dar umas costuras diferentes e criar algo fresco o quanto-baste para nos manter interessados.

“Deadpool” foca-se então em Wade Wilson (Ryan Reynolds) um mercenário que ganha a sua vida a aterrorizar outros criminosos e que pelo meio conhece uma prostituta com coração de ouro e sentido de humor tão negro como carvão. Após Wade descobrir que tem cancro em praticamente toda a parte superior do seu corpo, ele abandona a namorada para a poupar do sofrimento e em desespero, alista-se num programa liderado por um Mutante chamado Ajax (Ed Skrein) que após algumas promessas falhadas e muita tortura à mistura acaba por fazer de Wade WIlson um imortal psicótico.

A simplicidade do filme é que, tal como a personagem Deadpool usa o humor e a violência para ignorar o seu sofrimento interno também “Deadpool” o filme usa a comédia negra, a violência extravagante e constantes cortes temporais para esconder uma narrativa bastante básica e sem grandes (ou nenhuns, mesmo) floreados. E tudo funciona muito bem. Ryan Reynolds interpreta Deadpool de forma perfeita; o seu tempo cómico não falha e o seu crescente talento enquanto actor dramático dão à sua personagem o toque humano necessário para criar empatia com o público. O mesmo quase que podia ser dito de Ed Skrein. Ajax é uma personagem que não sente nada tanto a nível fisico como emocional, embora que, com o passar dos minutos, a irritabilidade de Deadpool começa a fazer efeito e as pequenas nuances na interpretação de Skrein dão a entender um aparecimento de prazer no que toca a torturar o herói deste filme. Todas as outras personagens mantém praticamente um único tom ao longo do filme, agarrando-se aos seus charmes e não avançando para além do que o clichê cinematográfico espera delas. A tudo isto se alia uma boa cinematografia, bem mais próxima de filmes como “Die Hard” do que de “X-Men”, enormes quantidades de referencias Pop, que vão desde o uso de canções dos Wham até referencias Meta sobre outras personagens da Marvel e actores que as interpretam, quebrando constantemente a barreira entre filme e espectador.

À sua maneira, “Deadpool” é uma adaptação bastante fiel ao produto original, o que vai com certeza agradar os fans que tanto se queixaram do tratamento que a personagem recebeu em “X-Men Origins: Wolverine”  e se torna numa boa hipótese para quem começa a ficar farto de filmes de super-heróis mas que ainda assim gosta de um bom filme de acção.

Realização: Tim Miller
Argumento: Paul Wernick, Rhett Reese
Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, T.J. Miller
EUA/2016 – Ação/Aventura
Sinopse: Depois de ter sido sujeito a uma experiência clandestina que o deixa com o poder de cicatrização acelerada, Wade Wilson adopta o alter ego Deadpool. Armado com as suas novas habilidades, além dum negro e retorcido sentido de humor, Deadpool persegue o homem que quase destruiu a sua vida.

«Deadpool» - O refrescar da fórmula
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