«Django Libertado» – Tiros, Explosões e Vingança

Faltava um Western a sério na filmografia de Tarantino e agora que o temos, que bem que valeu a espera.

Numa mistura entre os filmes Blaxploitation com a sua conjugação frenética de movimentos de câmara e utilização de músicas funk e os Western carregados de belas e enormes paisagens, cowboys aventureiros e duelos de pistolas, “Django Unchained” é uma excelente forma de começar o nosso ano cinematográfico (mesmo estando quase em finais de janeiro). Não seria fácil para Tarantino criar um filme que estivesse ao nível de “Inglorious Basterds” mas de certa forma o realizador americano lá conseguiu sacar de mais um coelho mágico da cartola e parece conseguir vislumbrar mais uma vez.

“Django Unchained” vai buscar inspiração a “Django” (1966) de Sergio Corbucci na utilização da temática do herói que procura resgatar a sua mulher contra tudo e contra todos, abordando pelo meio outros assuntos como a escravatura e o racismo e dando-lhe ainda aquele toque “tarantiniano” que já todos conhecemos dos anteriores filmes do realizador de “Pulp Fiction” e “Kill Bill”. Os diálogos são quase sempre mordazes e energéticos, a violência é sempre excessiva e espectacular e as personagens, sobretudo as três principais, Django (Jamie Foxx) Dr. Schultz (Christoph Waltz) e Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) são apresentadas de forma extremamente cativante, agarrando-nos de início ao fim, e no caso particular de Django, com um desenvolvimento enorme, sendo provavelmente uma das melhores personagens de Tarantino de todos os seus filmes, passando de “escravo-em-busca-de-vingança” a Anti-Herói num piscar de olhos. E se Joxx fez um excelente trabalho no desenvolvimento da sua personagem, Waltz mostrou que a sua ligação com Tarantino está para durar, fazendo com que a sua personagem roube todas as atenções do filme enquanto aparece. O mesmo pode ser dito sobre DiCaprio que tem uma excelente performance num papel de vilão tirano e totalmente egocêntrico.

Contudo, apesar dos pontos fortes acima referidos como o argumento e as interpretações, “Django Unchained” não deixa de ser um filme com algumas falhas; o tom do filme, embora divertido e viciante retira alguma força à seriedade do assunto abordado (talvez tenha sido mesmo intenção do realizador, mas mesmo assim…) e o cameo que Tarantino decide fazer já no terceiro acto do filme acaba por servir mais como uma distracção do que uma mais valia, e o terceiro acto não é e todo o sitio ideal para distrair o público da narrativa de um filme. “Django Unchained” mostra ainda assim qualidades para ser um dos melhores filmes do ano, mesmo que este ainda vá no inicio, o que já è dizer bastante sobre o tipo de filme que é.

Realização: Quentin Tarantino

Argumento: Quentin Tarantino

Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio

EUA/2012 – Western

Sinopse: Passado no sul dos Estados Unidos dois anos antes da Guerra Civil, Django Unchained conta a história de Django, um escravo com vendido a um caçador de recompensas alemão para ajudar na captura dos irmãos assassinos Brittle. O seu sucesso leva Schultz a libertar Django, mas os dois homens decidem permanecer juntos. Assim, Schultz persegue os criminosos mais procurados do Sul com Django a seu lado. Apesar de aperfeiçoar as suas capacidades de caça, Django mantém-se focado num objectivo: encontrar e resgatar Broomhilda, a sua mulher que perdeu no comércio de escravos há muitos anos atrás. A procura de Schultz e Django leva-os até Calvin Candie, o proprietário de “Candyland”, uma plantação infame onde os escravos são preparados pelo treinador Ace Woody a lutarem entre si por desporto. Ao explorar a plantação sob um falso pretexto Django e Schultz despertam a atenção de Stephen, um escravo da confiança de Candie. Os seus movimentos são seguidos e uma organização traiçoeira acaba por os cercar. Django e Schultz, ao tentarem escapar com Broomhilda, terão que escolher entre a independência e a solidariedade, entre o sacrifício e a sobrevivência…

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