O novo capítulo do Universo cinematográfico da Marvel Studios leva-nos ao Espaço e apresenta-nos um grupo de marginais e mercenários composto por Humanos, Aliens, Plantas e guaxinins… e o resultado não podia ser mais divertido.

“Guardians of the Galaxy” começa por nos fazer viajar entre vários estádios emocionais logo nos seus primeiros 15 minutos: desde a noite em que Peter Quill vê a sua mãe morrer numa cama de hospital, passando pelo momento em que Peter, agora adulto (e protagonizado por Chris Pratt) tenta trair o seu mentor/chefe de forma a roubar de forma cómica e aventureira uma poderosa e misteriosa orbe de um planeta à beira da morte e até ao ponto em que já numa prisão, depois de uma longa e atabalhoada zaragata, Peter (agora pelo nome Star-Lord) conhece aqueles que vão ser os seus companheiros guardiões da Galáxia: Drax (Dave Bautista) Gamorra (Zoe Saldaña) e ainda Groot e Rocket (com as vozes de Vin Diesel e Bradley Cooper, respectivamente). A partir deste ponto o filme não olha mais para trás e este bizarro grupo de companheiros encontra forma de se meter no caminho dos Vilões Ronan (Lee Pace) Yondu (Michael Rooker) e ainda o enigmático Thanos (Josh Brollin).

E vou mesmo começar pelos vilões. Ao fim de 10 filmes os criativos da Marvel parecem ainda ter dificuldades em criar um vilão com motivações e personalidade totalmente definidos e continuam a apoiar-se no bom e velho “objecto mágico, poderoso e brilhante que vai destruir o mundo” como ameaça principal para os protagonistas ( Loki em “Avengers” é a excepção.) mas desta vez “Guardians…” parece finalmente mostrar progressos nessa fragilidade do Franchise ao apresentar-nos Ronan The Accuser, um poderoso extra-terrestre motivado pelo seu fanatismo racial e político que tem como objectivo destruir toda uma cultura que ele acha ofensiva para o seu povo (onde é que já vimos isto?). Ronan tem ainda dois cúmplices/capangas que, dando-lhes mais alguns minutos de filme poderiam ser ainda mais interessantes que ele mesmo: Korath (Djimon Hounsou) e Nebula (Karen Gillan) mas infelizmente ambos sofrem do que eu chamo de “Síndroma de Bobba Fett”, fazendo deles excelentes potenciais vilões/anti-heróis falhando apenas por não receberem o seu devido tempo de antena, principalmente Nebula, irmã adoptiva de Gamorra (são ambas filhas de Thanos) que parece claramente sofrer de um sério caso de inveja e “daddy-issues”, o que aliado ao facto dela ter membros robóticos capazes de se regenerar a tornam bastante interessante e um sério caso a ter em conta na já anunciada sequela. Falando em Thanos, a sua (muito) curta aparição neste filme não serve apenas para mais do que anunciar “Avengers 3” algures para 2018. Mas voltando ao ponto principal: Vilões com muito potencial mas pouca utilização prática dos mesmos para além do genérico “Eu sou mau porque sim”.

Quanto às parte positivas do filme temos bem coreografias cenas de acção, a excelente realização do experiente realizador Indie James Gunn (mais sobre ele num instante) a caracterização dos heróis, a química entre os actores que os protagonizam e a beleza dos cenários espaciais. Sempre que espreitamos para fora de uma das janelas das naves não vemos apenas o infinito negro do Espaço mas sim nebulosas, planetas, asteróides e todo o tipo de objectos que dá cor, vida e dinamismo ao plano. Isto é também fortificado pelas personagens secundárias e pelos figurantes. James Gunn inspira-se nas antigas séries de Sci-Fi (“Star-Trek” por exemplo) onde para se ser reconhecido como extra-terrestre bastava apenas ter-se uma cor de pele bizarra, como azul ou cor-de-rosa e isso não podia   estar em melhor síncronia com o tom descontraído do seu filme que tem a sobriedade suficiente para saber que existe para ser divertido e nos levar numa viagem de cor, gargalhadas e excitação. O que nos leva aos actores: Chris Pratt, Zoe Saldana e Dave Bautista, os três protagonistas não-animados apresentam uma excelente química entre eles e Bautista, que protagoniza Drax – O Destruidor, uma personagem que interpreta tudo no seu sentido literal e não tem grande sentido de humor aparece como uma agradável surpresa (Bautista não é conhecido propriamente pelos seus talentos de representação). Quanto a Groot e Rocket, estes dois serão para as crianças de hoje o que Han Solo e Chewbacca foram para os miúdos que cresceram nos finais de 70/década de 80. Groot pela sua sensibilidade e inocência (ou não fosse ele uma árvore semi-falante) e Rocket pelo seu lado intrépido e marginal, mostrando-nos como não há muitas coisas mais prazenteiras do que ver um guaxinim de língua afiada e com uma metralhadora nas mãos a disparar contra tudo o que mexe. E devo também mencionar o The Collector (Benício Del Toro) que apesar de ser apenas uma personagem que existe para nos dar alguma informação durante o segundo acto do filme, se apresenta formidavelmente apenas com meia dúzia de linhas de diálogo, fazendo-nos rir e odiar ao mesmo tempo.

No seu geral “Guardians of the Galaxy” acaba por ser tudo aquilo que nos foi prometido e mais alguma coisa. Um blockbuster bem construído, bem realizado e com uma certa alma  Indie que James Gunn trouxe de forma bastante criativa e colocará certamente “Guardians” no mesmo panteão de filmes como “Guerra das Estrelas”, “Indiana Jones” ou “Regresso ao Futuro” no que toca a filmes que marcaram gerações (quanto mais não seja pelo número de brinquedos vendidos).

Realização: James Gunn

Argumento: James Gunn

Elenco: Benicio Del Toro, Chris Pratt, Glenn Close, Karen Gillan, Lee Pace, Vin Diesel, Zoe Saldana

EUA/2014 – Ação/Aventura

Sinopse: Esta aventura da Marvel, mostra o aventureiro espacial Peter Quill alvo de um caçador de recompensas depois de roubar uma esfera cobiçada por um vilão traiçoeiro, mas quando Quill descobre os seus poderes, tem de encontrar uma forma de reunir o quarteto de rivais inadaptados para salvarem o universo.

«Guardiões da Galáxia» - Pura diversão nos Cinemas
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