«Jojo Rabbit» – Taika Waititi faz comédia audaciosa sobre miúdo nazi

“Jojo Rabbit”, que estreia nesta quinta-feira (30), é aquele filme que muitas pessoas só irão ver por conta das seis nomeações aos Óscares. Também dividirá o público entre os que se emocionaram e os que não viram a mínima graça. Podemos chamar a comédia do realizador, escritor e actor Taika Waititi de audaciosa já que retrata um miúdo nazi (Roman Griffin Davis) durante a Segunda Guerra Mundial cujo melhor amigo é um Adolf Hitler imaginário (o próprio Waititi).

Inspirado no romance “O Céu Numa Gaiola” (Editorial Presença), da escritora Christine Leunens, o filme tenta filtrar o sistema maligno do Terceiro Reich através da consciência de um carismático miúdo de dez anos. Johannes vive em uma pequena cidade da Alemanha e está empolgado, assim como os amigos de sua idade, pelo seu primeiro dia no acampamento da Juventude Hitlerista. Seu nível de fanatismo é tão alto que ele conversa com um Hitler idealizado por ele como uma figura de apoio emocional.

O acampamento tem como líderes pessoas patéticas interpretadas por Sam Rockwell e Rebel Wilson. Lá, durante as atividades, Johannes é humilhado por adultos nazistas e, ao não conseguir matar um coelho, recebe a alcunha de “Jojo Rabbit”. Apesar do pai ausente por estar na guerra (em Itália) e da irmã ter morrido (não sabemos como), Jojo tem uma mãe carinhosa, com gestos bem teatrais, chamada Rosie (Scarlett Johansson). Ela tenta esconder muitas coisas de Jojo, entre elas uma adolescente judia (Thomasin McKenzie) no sótão de casa.

Os vários sentimentos que as descobertas causam em Jojo são maravilhosamente interpretados pelo estreante inglês Roman Griffin Davis. Ele segura o filme em todas as cenas, com uma euforia espontânea de uma criança que quer compreender o mundo. Porém, essa é uma mistura complicada de tons que Waititi está a mostrar aos espectadores.

Algumas cenas de perspectivas mais ingénua e/ou cómica lembram o premiado “A Vida é Bela” (1999), de Roberto Benigni, enquanto outras mais dramáticas aproximam-se de “O Rapaz do Pijama às Riscas” (2008), de Mark Herman. Nenhum momento de “Jojo Rabbit” chega a ser ofensivo, mas é um bocado decepcionante quando o filme não atinge seu objectivo, e acaba por causar uma sensação confusa na cabeça de quem o vê.

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