São Paulo: REAG Belas Artes realiza mostra em tributo a Andrei Tarkovsky

A mostra especial apresentará cinco das suas obras-primas
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Via: Revista Okolo

Entre os dias 13 e 19 de junho, o REAG Belas Artes irá prestar tributo ao cineasta russo Andrei Tarkovsky com a exibição de cinco dos seus sete longas-metragens: “Andrei Rublev” (1966), “Solaris” (1971), “Stalker” (1979), “A Infância de Ivan” (1965) e “O Espelho” (1975).

A abertura da mostra inaugura a primeira edição do Cine Clube À LA CARTE, que trará mensalmente uma sessão de um filme disponível no À LA CARTE – streaming do Belas Artes Grupo, seguida de uma conversa com o público.

Dia 13

No dia 13 de junho, às 18h30, durante a sessão de “Solaris”, o público terá a oportunidade de participar de um debate com a presença do crítico e jornalista Luiz Carlos Merten, cujo nome recentemente foi dado a uma sala no Belas, e Igor Oliveira, coordenador das áreas de curadoria, vendas e comunicação.

Oliviera é responsável pela seleção de títulos para a Mostra Mosfilm, além de outras mostras e exibições realizadas em locais como o Cine REAG Belas Artes (SP), Cine São Luiz (CE) e Cinemateca Paulo Amorim (RS), entre outros.

Tarkovsky

Reverenciado como o “Dostoievski do Cinema”, Tarkovsky tem uma trajetória peculiar antes de se dedicar à realização.

Estudou música e pintura, aprendeu árabe no Instituto Oriental de Moscovo, frequentou uma escola de artes plásticas e graduou-se em Geologia. Contudo, não foi nas expedições geológicas, na coleta de rochas, na vastidão da Sibéria ou mesmo nas artes plásticas que descobriu a sua genuína vocação, foi no cinema que encontrou o seu verdadeiro propósito e inspiração.

Após esta breve contextualização, fica claro que desde a juventude a curiosidade foi uma constante na sua vida.

Nessa altura, teve o privilégio de explorar obras fundamentais do Neo-Realismo italiano e da Nouvelle Vague francesa, e de se familiarizar com realizadore como Akira Kurosawa, Luis Buñuel, Ingmar Bergman, Robert Bresson, Kenji Mizoguchi e Andrzej Wajda. Neste contexto, um filme que o marcou profundamente foi “Cinzas e Diamantes” (1958), de Wajda.

Apesar de ter sido influenciado por esses nomes e correntes importantes, Tarkovsky desenvolveu um estilo profundamente pessoal, sempre voltado para as questões existenciais e metafísicas, com uma ênfase particular na busca pela verdade, na poesia e na transcendência espiritual.

Para além da sua carreira na realização cinematográfica, o russo também escreveu vários guiões. Dirigiu a ópera “Boris Godunov” em Londres e uma adaptação radiofónica do conto “Turnabout”, de William Faulkner.

Além disso, teve envolvimento no teatro ao dirigir uma encenação de “Hamlet”, de William Shakespeare. Também foi teórico ao escrever “Esculpir o Tempo”, um livro sobre teoria cinematográfica.

Na sua obra, ele argumenta que o verdadeiro propósito do cinema é capturar e transformar a nossa vivência do tempo. Assim, um filme não editado regista o tempo em tempo real. Através de planos longos e poucos cortes, procura-se oferecer aos espectadores a sensação de como o tempo passa, a perda temporal e a ligação entre momentos distintos.


Confira a programação abaixo

13/06 às 18h30 – “Solaris” (Solaris)* sessão debate

14/06 às 19h – “O Espelho” (Zerkalo)

15/06 às 19h – “Stalker” (Stalker)

16/06 às 19h – “Andrei Rublev” (Andrey Rublyov)

17/06 às 19h – “A Infância de Ivan” (Ivanovo detstvo)

18/06 às 19h – “Solaris” (Solaris)

19/06 às 19h – “Stalker” (Stalker)

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