Time waits for no one: #1 (Richard Fleischer)

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«Time can tear down a building or destroy a woman’s face Hours are like diamonds, don’t let them waste.»

Richard Fleischer e os três filmes de 1971: «10 Rillington Place», «The Last Run» e «Blind Terror (I See No Evil) »

Ao longo da História, são poucos os casos – e impensável nos tempos que correm – de três filmes estreados no mesmo ano pelo mesmo realizador. Ao longo de 1971, Richard Fleischer (1916-2006) introduziu-nos a « 10 Rillington Place » (Richard Attenborough/John Hurt), « The Last Run » (George C. Scott/Trish Van Devere) e « Blind Terror » (Mia Farrow). Fleischer, conhecido principalmente por filmes como « 20000 Leagues Under the Sea » (1954) – e como percursor dos efeitos especiais no Cinema – « Tora! Tora! Tora! » (1970) e « Conan The Destroyer » (1984) iniciou a sua carreira dirigindo filmes noir durante os finais da década de quarenta e inicio da década de cinquenta do século passado, tendo depois adoptado um estilo mais fantástico e épico, em reproduções de grandes histórias e feitos ao estilo de Dino de Laurentis (« Red Sonja », 1985).

Estes são, de facto, três filmes sintomáticos de um momento na filmografia do realizador. Surgem como um oásis, quer a nível estético, quer ao nível do argumento. Fleischer espelha-se nas suas personagens e nas situações em que as coloca, ou seja, embora insira estes filmes em géneros reconhecidos como o thriller, o drama e o filme de acção, atribui-lhes um cunho pessoal e intimo. Christie, Garmes e Sarah – os protagonistas – são indivíduos à partida isolados voluntária ou involuntariamente num mundo criado por si – pelos segredos obscuros escondidos numa casa, pelo exílio numa terra piscatória em Portugal e pela cegueira acidental, respectivamente – mas que se vêm progressivamente envolvidos na sociedade. Esta re-introdução a uma vida quotidiana vem acompanhada pela confrontação dos seus medos mais profundos. Embora confortáveis na sua realidade condicionada, os protagonistas são atraídos para o conflito, podendo isto ditar a violação definitiva do seu afastamento de uma normalidade e consequentemente, a morte.

Assim, Christie (« 10 Rillington Place ») torna-se mais desleixado com as suas vítimas, Garmes (« The Last Run ») deixa o sol, a praia e as mulheres da costa portuguesa e embarca num último trabalho no mundo do crime e Sarah (« Blind Terror ») subestima a sua cegueira e recusa ajuda, acabando perseguida por um stalker. No decorrer dos filmes, e dada esta cedência, nenhum deles volta ao seu status quo inicial. De notar que Harry Garmes em « The Last Run » sobe de automóvel, pela estrada de montanha, apenas na sequência inicial (em que depois de alguns trabalhos na sua garagem sai para uma corrida). A partir daqui o seu BMW 503 de 1956 vai-se degradando e, assim como assim, também o seu proprietário (atentar à sequência final do filme).

Assim, longe da sua zona de conforto, Richard Fleischer confia-nos estes três filmes. Numa confissão camuflada em três actos, leva-nos numa visita guiada pela recriação do seu estilo cinematográfico mesmo que este dite – como a história confirmou – um inevitável regresso à estética precedente.

Time waits for no one: #1_2
10 Rillington Place (1971)
Time waits for no one: #1_1
The Last Run (1971)
Time waits for no one: #1_3
Blind Terror (1971)

Próxima publicação (19 de Março): « Jane Russell e Howard Hughes: The Outlaw (1943) e The French Line (1954). »