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«Time can tear down a building or destroy a woman’s face Hours are like diamonds, don’t let them waste.»

Jane Russell e Howard Hughes: um olhar sobre «The Outlaw» e «The French Line»

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« The Motion Picture Code of 1930

General Principles:

1. No picture shall be produced that will lower the moral standards of those who see it. Hence the sympathy of the audience should never be thrown to the side of crime, wrongdoing, evil or sin.

2. Correct standards of life, subject only to the requirements of drama and entertainment, shall be presented.

3. Law, natural or human, shall not be ridiculed, nor shall sympathy be created for its violation. »[/box]

Para além de tudo o mais, os adjectivos que melhor descrevem Howard Hughes (1905-1976) são milionário e empreendedor. De facto, tudo o que o americano conseguiu pôr em prática – seja na aviação, na engenharia, ou no Cinema – deve-se à sua forma inovadora de pensar, não esquecendo a rede de segurança que as suas empresas e a sua fortuna pessoal representavam.

Com «The Outlaw» (1943) Hughes envolver-se-ia em mais uma aventura, desta feita cinematográfica, com todos os avanços e retrocessos que as caracterizavam. O seu objectivo era sempre o de romper com o pré-estabelecido e oferecer ao público algo novo. Neste filme, comprometia-se a narrar o mito clássico do western norte-americano protagonizado por Billy the Kid, Doc Holliday e Pat Garrett, com um twist de sensualidade provocatória personalizado na personagem da exótica Rio McDonald. O milionário via esta personagem como elemento fundamental na sua produção e realizou um casting um pouco por todo o país. A escolha recaiu sobre Jane Russell (1921-2011), uma jovem recepcionista de um gabinete médico com um peito farto e uma altura considerável, modelo ideal para um novo sex symbol.

O filme abordava um tema querido ao público, no entanto, a sua promoção centrou-se nesta mulher. A começar pelos posters e outdoors ousados – com a actriz em posições sedutoras, usando decotes proeminentes – sublinhados por slogans que remetiam às suas características físicas, aludindo ao público maioritariamente masculino. No filme em si, Jane parece não ter pudor de se exibir, em quadros que quase nunca escondem os seus atributos (no máximo planos médios pela cintura, ou grandes planos das suas expressões mais controversas). O próprio enredo que a envolve gera uma certa estranheza num filme desta época e foi, evidentemente, uma condicionante no seu lançamento nas salas de cinema. Vale a pena referir algumas sequências que se tornaram míticas, como quando Rio se deita na cama com Billy que padece de febre («You can call a priest by the morning if that makes you feel better.», cito de cor), quando Billy obriga Rio a implorar que a beije

(«Will you keep your eyes open?»), quando estes dois se deixam cair na água de um riacho e ambos ficam com as roupas molhadas, ou quando tanto Doc como The Kid preferem Red – o cavalo – a McDonald.

«The Outlaw», com tudo o que com ele transporta, foi realmente o primeiro filme a desafiar a censura que vigorava, à época, na produção norte-americana. O denominado código Hays, que definia o que podia ou não ser exibido nas salas públicas, não tolerava a depravação da audiência e a violação de valores morais. Assim, e embora a produção do filme estivesse concluída em 1941, seria exibido apenas dois anos depois, a 5 de Fevereiro de 1943 em São Francisco, devido a cortes e revisões.

Aparte de toda a controvérsia, é de notar a direcção de fotografia a preto-e-branco de Greg Tolland («Citizane Kane», «The Grapes of Wrath»), que viria a substituir Lucien Ballard quando Howard Hawks – inicialmente escolhido para dirigir o filme – se demitiu, duas semanas após o inicio da rodagem.

Em 1953, Jane Russell volta a participar numa produção de Howard Hughes (desta feita como Produtor Executivo). Em «The French Line» – de Lloyd Bacon – Russell interpreta uma empresária do mundo da extracção de petróleo que decide fazer uma viagem até onde ninguém a conhecesse e onde os homens se apaixonassem por ela, não pela sua riqueza, mas pelo que ela é. O filme foi originalmente exibido em 3-D e conta com o afamado momento musical em que Mary Carson canta e dança, envergando um fato de banho decotado, o tema «Looking for Trouble». Mais uma vez, Hughes apostava em Jane Russell e nos seus atributos físicos para promover o filme. A interligação entre a técnica do 3-D e Russell não são por acaso. Tinha como objectivo avolumar o interesse visual da actriz e de, claramente, aumentar as bilheteiras. Desta feita, o slogan do filme seria ainda mais arrojado e provocatório do que no exemplo anterior: «See Jane Russell in ‘The French Line’ – she’ll knock BOTH your eyes out!».

Desta forma, podemos dizer que Howard Hughes e Jane Russell são responsáveis por romper com convenções, no que ao corpo e à sensualidade no Cinema diz respeito, e que o fizeram através de meios que nem hoje, quanto mais à época alguém pensaria ou teria a coragem de utilizar.

Time waits for no one #2_1

01. The Outlaw Promo

Time waits for no one #2_2

02. The French Line Promo

Próxima publicação (26 de Março): « Jane Russell e Howard Hughes: The Outlaw (1943) e The French Line (1954). »