Time waits for no one: #3 (Ida Lupino)

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«Time can tear down a building or destroy a woman’s face Hours are like diamonds, don’t let them waste.»

Ida Lupino: de actriz a realizadora

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« Not only did Lupino take control of production, direction and screenplay, but each of her movies addresses the brutal repercussions of sexuality, independence and dependence. »

Carrie Rickey [/box]

Ida Lupino (1918-1995) é uma figura preponderante no Cinema, tendo sido influente como actriz, argumentista, produtora, e uma das pioneiras da realização no feminino. Nos seus 48 anos de carreira, participou em cerca de 59 filmes e realizou 7. Numa fase mais tardia dedicou-se à produção televisiva, tendo sido responsável por cerca de 50 episódios distribuídos por diferentes programas de tv.

Concluiu os seus estudos na Royal Academy of Dramatic Art e estreou-se no grande ecrã com um papel menor em «The Love Race» (1931). Muda-se, então, para os Estados Unidos da América e durante esta década participa em diversos filmes dos quais se destacam «The Search for Beauty» (1934) e «The Light that Failed» (1939).

Numa época em que tanto as decisões criativas como comerciais se concentravam nas produtoras e nos produtores, Lupino fez sempre um grande esforço para gerir pessoalmente a sua carreira e marcar uma posição revolucionária. Teve os seus papeis mais importantes na década de 40 numa fase em que era reconhecida, como mais tarde declarou, por «the poor man’s Bette Davis», ao interpretar as personagens que eram rejeitadas pela famosa actriz. O seu prestigio escalava, assim como os papeis que lhe eram oferecidos. No entanto, e contrariando (corajosamente) a Warner Bros com quem assinara contrato, rejeitava todos os que lhe pareciam «beneath her dignity as an actress».

Tamanha rebeldia não passava impune e valeu-lhe uma série de suspensões consecutivas. Entretanto, assina contrato com a Columbia Pictures e as suspensões sucedem-se. Em meados da década de 40, durante uma destas suspensões, Ida Lupino começa-se a interessar pela realização. O tempo livre permitia-lhe debruçar-se sobre os processos de mettre en scène e da montagem. Mais tarde, a actriz veio até a declarar que se sentia aborrecida como actriz enquanto que havia alguém no plateau com um trabalho bem mais desafiante. Com o seu marido – Collier Young – fundou a produtora independente The Filmakers, tornando-se a primeira mulher a produzir, realizar e escrever os seus próprios filmes.

Realiza «Outrage» (1950) e «Hard, Fast and Beautiful» (1951) – filmes feministas ou centrados na Mulher na sociedade – antes da considerada, por muitos, chef d’oeuvre «The Hitch-Hicker» (1953), com Edmond O’Brien, Frank Lovejoy e William Talman. Este foi o primeiro filme noir realizado por uma mulher e reflecte toda a fundamentação do seu trabalho de autor. Com este filme, e seguindo os pressupostos do género em que se insere, conseguiu transferir para o homem todas as condicionantes que habitualmente se verificavam na figura feminina – uma imagem letal, perigosa, muito pouco confiável, maquiavélica, etc…

Lupino, enquanto levava a cabo as suas próprias produções, nunca deixou de aparecer diante da camera de forma a manter a viabilidade da sua produtora. Em todos os aspectos, a cineasta anglo-americana assume-se como uma figura incontornável da História do Cinema – embora obscura – quer ao nível da batalha pela hegemonia de um Cinema de autor, numa época em que quase nunca era praticado, quer ao nível de uma luta proto-feminista num universo entregue – à época – a profissionais do género masculino.

Time waits for no one #3_1
01. The Hitch-Hiker
Time waits for no one #3_2
02. Ida Lupino

Próxima publicação (1 de Abril): «A Costureirinha da Sé» de Manuel Guimarães (1959)