As Escolhas de Sofia

“Mas quem é a Sofia? E porquê é que interessa o que ela escolhe? A Sofia é uma amante da sétima arte, com formação em psicologia, que nos trará semanalmente uma análise idiossincrática de um filme da sua preferência. Opinião sincera e repleta de curiosidades, acerca de filmes, muitas vezes ignorados pelas luzes da ribalta, mas que de alguma forma merecem protagonismo, pelo interesse do ponto de vista psicológico, da análise do comportamento e da personalidade, e dos benefícios de os visionar. Esperamos que não fique indiferente a esta nova rubrica, e que torne as escolhas da Sofia suas escolhas também!”

O Gigante de Ferro (1999) – Somos o Que Quisermos Ser

“O Gigante de Ferro” (“The Iron Giant”) é um filme de animação realizado por Brad Bird (também realizador de “Os Incríveis” e “Ratatui”), com argumento de Tim McCanlies, baseado no romance “The Iron Man” de Ted Hughes.

O filme produzido pela Warner Brothers Animation que utiliza a animação tradicional e a animação computadorizada conta a história de Hogarth Hughes (voz de Eli Marienthal), um menino solitário e aventureiro, que vive com a sua mãe viúva (voz de Jennifer Aniston), que numa noite em que é deixado sozinho em casa resgata um gigante de ferro (voz de Vin Diesel) que caiu do espaço, com quem acaba por construir uma forte relação de amizade.

Em 1957, no pico da Guerra Fria, as estranhas ocorrências provocadas pela queda do Gigante não são ignoradas pelos populares que acabam por alertar o governo. Kent Mansley (voz de Christopher McDonald) é enviado para investigar estes acontecimentos e aniquilar qualquer ameaça “extraterrestre“ que possa surgir contra os Estados Unidos da América.

Hogarth tenta então esconder e proteger o seu amigo de 15 metros de altura recorrendo à ajuda da sua mãe e de Dean (voz de Harry Connick Jr.), o proprietário de um ferro velho que alimenta o Gigante.

O resultado é uma aventura deliciosa que nos faz rir e emocionar, que só mais tarde alcançou o prestígio merecido, apesar de ter sido imediatamente aclamado pela crítica. O filme, repleto de humor, ação, nostalgia, mensagens positivas, sátiras sociais, personagens carismáticas e escrita inteligente, não incluí momentos musicais, e tem todos os ingredientes necessários à construção de uma obra-prima da sétima arte, em especial da animação “realista”.

Brad Bird amante dos super-heróis aproveita “O Gigante de Ferro” para homenagear os seus heróis de infância que o ajudaram a tornar-se num contador de histórias.

É um filme simples, baseado na animação clássica, e que procura transmitir uma mensagem antiguerra e anti preconceito. É uma imagem clara de como tendemos a rejeitar A priori o que é diferente, desconhecido e nos causa medo, respondendo de forma desadequada e, muitas vezes, agressiva, a ameaças que nós próprios construímos na nossa imaginação.

Ao mesmo tempo, não deixa de transpor a ideia de que as nossas características físicas e psicossociais não são, necessariamente, preditores do nosso comportamento e personalidade, podemos escolher “quem” queremos ser.

Muitos perderam a oportunidade de o ver na infância, mas não deixem escapar este que é um filme para todas as idades e para ver em qualquer ocasião.

"O Gigante de Ferro" (1999)_1