Portanto…estamos no Futuro e uma brecha entre dois universos foi aberta algures nas profundezas do Oceano Pacífico, o que faz com que criaturas enormes comecem lentamente a invadir o nosso planeta e destruindo tudo o que vêem até que a humanidade se decide unir na construção de robôs gigantes – Jaeger-  usados para combater os monstros – kaijus – .

Ok, entendida a premissa do filme, passamos então a duas horas de festival “Robôs Vs Monstros” à moda de Guillermo Del Toro.

É difícil ficar indiferente ao trabalho de Del Toro. Este realizador fez alguns dos trabalhos mais visualmente criativos que o cinema ocidental viu nos últimos anos e Pacific Rim nesse aspecto não desilude nem um bocadinho que seja. O prólogo inicial apresenta-se com imagens fortes que nos expões imediatamente o universo em que o filme se encontra e prepara-nos para uma experiência que leva qualquer fanboy de ficção científica ao delírio cinematográfico e nem mesmo o pobre arco narrativo das duas personagens principais faz por estragar a festa.

E é por essas duas personagens mesmo que vou começar. Charlie Hunnan e Rinko Kikuchi interpretam os papeis de Raleigh Becket e Mako Mori, a dupla improvável que acaba por se tornar na dupla invencível. Um arco narrativo clássico e que à partida não teria muito por onde errar mas, aparentemente não é preciso muito para que erros aconteçam e o desenvolvimento destas duas personagens – que deveriam ser o nosso elo de ligação/empatia com todo o universo do filme – acaba por ser demasiado plano, sem grande atrito e por vezes a descair o aborrecido. No outro extremo do espectro estão Idris Elba, Charlie Day e Ron Perlman – com um excelente cameo extendido ao longo do filme – que fazem um bom trabalho com as suas personagens. Stacker Pentecost, a personagem de Elba, rouba todas as cenas em que aparece – o que começa a ser um hábito neste actor – e acaba por recuperar a ligação com a audiência que as duas personagens principais não conseguem obter, enquanto que Dr Newton Geiszler, a personagem de Charlie Day, acaba por ter um twist interessante ao não se tornar a personagem irritante e previsível que se espera que seja quando ele entra em cena, fazendo com que as suas cenas cómicas funcionem bem dentro do tom grandioso do filme. Quanto a Ron Perlman…a  sua personagem de traficante de órgãos de kaiju tem carisma suficiente para empolgar o público sempre que esta aparece.

No que toca ao resto da narrativa, os momentos mais lamechas acabam por funcionar de forma divertida enquanto que todo o filme parece funcionar numa espécie de aura que ronda o “Top Gun encontra Power Rangers em esteróides com pinceladas de Anime”. E para além disso existem as referências que Del Toro faz à mitologia de Lovecraft na forma como os seus monstros foram criados, tanto em aspecto como origem.

Para acabar, Pacific Rim é grande, barulhento e cool. Del Toro e toda a sua equipa deram-nos exatamente aquilo que nos foi prometido: Um festival de monstros gigantes e destruição que não pede desculpa pelos seus erros – e muito pelo contrário, assimila-os como parte do “espirito do festival” – capaz de fazer vibrar qualquer miúdo sedento de ficção-científica. Um filme bastante longe do valor poético de “O Labirinto de Fauno” mas ainda mais longe do triste caos insosso de “Transformers”.

Realização: Guillermo del Toro

Argumento:  Travis Beacham, Guillermo del Toro

Elenco: Brad William Henke, Charlie Day, Charlie Hunnam, Clifton Collins Jr., Idris Elba, Rinko Kikuchi, Ron Perlman

EUA/2013 – Ação/Aventura

Sinopse: Quando legiões de criaturas monstruosas, conhecidas como Kaiju, começam a emergir do mar, inicia-se uma guerra que pode tirar milhões de vidas e consumir os recursos da Humanidade por vários anos. Para combater os gigantes Kaiju, é criado um novo tipo de arma: enormes robots chamados Jaegers, controlados simultaneamente por dois pilotos, cujas mentes estão presas numa ponte neural. Mas mesmo os Jaegers se mostram indefesos face aos implacáveis Kaiju. À beira da derrota, as forças em defesa da Humanidade não têm outra escolha senão recorrer a dois heróis improváveis – um ex-piloto e um inexperiente estagiário – que se juntam para conduzir um lendário mas aparentemente obsoleto Jaeger. Juntos, eles são a última esperança da Humanidade face ao apocalipse.

«Batalha do Pacífico» - O blockbuster americano encontra o Kaiju japonês
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