«Crónica» – O refrescar de um género

Há já algumas semanas que esperava impacientemente por este filme e apesar da expectativa tentei manter-me sempre o mais afastado possível de trailers e possíveis spoilers de forma a poder ser surpreendido no cinema; e ainda bem que o fiz! “Chronicle” tem tudo para ser um dos melhores filmes sci-fi do ano. O espirito criativo e irreverente do cinema “indie” presente em “Chronicle” faz com que este seja um dos filmes de visualização obrigatória, tornando-o diferente de praticamente tudo aquilo que Hollywood nos tem dado sobre super-heróis e diria mesmo até que é um dos melhores filmes do sub-género dos últimos anos, ultrapassado apenas por “The Dark Knight”, com quem partilha aliás alguns aspectos temáticos.

O ponto mais frágil do filme é a utilização do estilo “found footage” – criado há mais de trinta anos com “Holocausto Canibal” e popularizado com “Blair Witch project” e “Cloverfield” –  mas mesmo isso se torna facilmente compreensível dentro do estilo narrativo do filme, ajudando a que o realizador possa saltar certos momentos “mortos” da história para se focar no que é importante. E mesmo até na utilização deste estilo se pode ver alguma criatividade por parte do realizador que utiliza desde câmaras da policia, câmaras de vigilância de edifícios, telemóveis, iPad’s, etc – Embora ainda não consiga entender o porquê de alguém decidir colocar uma câmara com tripé dentro de um quarto de hospital – de forma a poder ter vários planos diferentes da mesma acção, dando ainda mais dinamismo ao filme. Como o tal, mesmo o ponto mais fraco do filme acaba por ter as suas vantagens.

Quando às personagens “Chronicle” apresenta-nos vários elementos de origem e nascimento do herói, bem como a sempre presente dicotomia entre o Bem e o Mal presente em cada pessoa. Foi-nos dito desde sempre que “com um grande poder vem uma grande responsabilidade” e neste filme, Andrew, Matt e Steve, as personagens principais, mostram-nos claramente que “poder”, “responsabilidade” e “adolescência” nem sempre andam harmoniosamente de mãos dadas. E falando em personagens, o actor Dane DeHaan faz um trabalho magnifico na representação de Andrew, o mais problemático dos três amigos com os recém-descobertos super-poderes e ao mesmo tempo o que nos causa uma maior empatia, mesmo nos momentos mais negros.

A nível visual é fantástico ver o que se pode fazer com “apenas” 15 milhões de dólares. Tirando alguns pormenores de representação durante as cenas onde as personagens estão a voar, todos os efeitos-visuais são incríveis tendo em conta as origens modestas do filme e todo o terceiro acto de “Chronicle” é um festival de como fazer uma excelente pós-produção.

“Chronicle” é então a maior surpresa deste inicio de ano e de certeza que em dezembro continuará a estar bem lá no topo de preferencias dos fãs de ficção-científica – e não só! – Um filme que vale bem o preço do bilhete e que durante a sua quase hora e meia de duração nos oferece definitivamente uma boa experiência cinematográfica.

Realização: Josh Trank

Argumento: Max Landis

Elenco: Alex Russell, Michael B. Jordan, Michael Kelly

Reino Unido/2012 – Ficção Cientifica

Sinopse: Três amigos ganham super-poderes ao entrarem em contacto com uma substância misteriosa. A partir daí decidem documentar as suas façanhas, filmando tudo, sem saberem os problemas que iriam defrontar.

 

Classificação dos Leitores0 Votes
4.5