Primeiro, Christopher Reeve fez-nos acreditar que um homem pode voar; anos mais tarde Brandon Routh mostrou-nos que o mais icónico dos super-heróis tem um lado surpreendentemente melancólico; mas agora é a vez de Henry Cavill mostrar que “o homem de ferro” tem de facto um lado “brigão” e está sempre pronto para esmagar os seus punhos na cara do Michael Shannon. Quase uma hora de troca de socos e pontapés entre Kal-El e General Zod (não fosse Zack Snyder o realizador) envolvidos na já parcialmente conhecida mitologia do Super-Homem, polvilhada com grandes doses de ficção-científica. “Man of Steel” apresenta-se como candidato a Blockbuster do Verão e nós agradecemos por isso.

O primeiro acto de “Man of Steel” abre-nos o apetite para tudo o que virá a seguir; as fundações da história são apresentadas, a cinematografia mergulha-nos em Krypton e a rivalidade entre Zod (Michael Shannon) e Jor-El (Russel Crowe) começa a dar balanço para as cenas de acção seguintes. Mas depois…depois tal como o jovem Kal-El, também nós somos levados para o planeta Terra e aí as coisas começam a perder-se um bocado. As motivações das personagens principais, maioritariamente as de Jonathan Kent (Kevin Costner) não parecem ter qualquer tipo de consistência, sendo que quanto mais os poderes do jovem Clark Kent/Kal-El tentam ser escondidos mais parece que toda a cidade sabe o que se está a passar. O filme perde o equilíbrio mas pelo menos a sequência inicial ainda tem impacto suficiente para nos manter interessados e expectantes, ou não fosse essa sequência sobre uma sociedade que abandona a sua curiosidade pelo Espaço em favor da devastação gradual do seu próprio eco-sistema, o que leva eventualmente á destruição do planeta e que, aliado ao plano onde o nosso amigo Super (Henry Cavill) dá um soco a um Drone do exército americano, pode levar uma mente mais conspiradora a criar ligações “estranhas” entre este filme e a nossa História recente. O impacto inicial contudo não pode durar para sempre por isso…

Entra o terceiro acto e perde-se completamente o controlo (embora não totalmente no mau sentido): seguem-se então cerca de 40 minutos de pancadaria entre Super-Homem (“auxiliado” pelo exército americano) e General Zod (e seus aliados). Explosões, socos, movimentos tremidos de câmara e a destruição quase total de uma cidade. Se até aqui se notava a mãozinha de Christopher Nolan neste filme, fica agora claro que o realizador é Zack Snyder e as vistosas cenas de acção não podem ficar de fora. Zod e seus amigos libertam todo o seu fogo e fúria em Metropolis e o nosso protector Clark Kent/Kal-El/Super-Homem coloca-se entre eles e nós, chegando mesmo a ter alguns momentos em que Super-Homem foge da sua velha e habitual personagem de “defensor da paz” para algo mais ao estilo de um John McClane ou mesmo de um Rambo com super poderes.

Não esquecer também que tudo isto enquanto a música de Hans Zimmer toca em pano de fundo, dando uma maior dimensão a cada cena. Certamente um dos pontos fortes do filme.

Mas em resumo: O filme não é perfeito e algumas decisões das personagens roçam mesmo o estúpido e desnecessário, embora actores como Kevin Costner e Lawrence Fishburne saibam colocar a credibilidade em falta à situação. A narrativa perde-se e quando se encontra parece estar meio fragmentada (cenas cortadas, talvez) mas ainda assim sabe sempre bem ver o Super-Homem de regresso em excelente forma ao Grande Ecrã e com uma nova cara capaz de reinventar um bocado a personagem que desta vez aparece sem alguns dos tradicionais elementos da sua história como o seu arqui-inimigo Lex Luthor, o seu alter-ego de jornalista trapalhão do Daily Planet (e seus óculos a condizer) sem Kriptonite e sem aquele sentimentalismo patriótico que por vezes tornavam o Super-Homem num salvador dos Estados Unidos mais do que num Protector da Humanidade. Em vez disso temos naves espaciais, animais extraterrestres quase gigantes, a morte de um planeta, uma Lois Lane (Amy Adams) mais espevitada e menos “donzela em perigo”, alguns toques de cinematografia a lembrar os filmes Western e o Michael Shannon a ser um dos melhores vilões do ano. E por mim tudo bem. “Man of Steel” não será um filme que fique para a história (a não ser que seja o ponto de partida para um novo franchise á lá “Avengers”) mas é sem grandes dúvidas um dos filmes mais divertidos a ver este Verão.

Realização: Zack Snyder

Argumento: David S. Goyer

Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Diane Lane, Russell Crowe, Kevin Costner, Christopher Meloni

EUA/2013 – Acção/Aventura

Sinopse: O Super Homem regressa ao cinema pela mão de Zack Snyder, de “300” e “Sucker Punch”, com produção de Christopher Nolan e argumento de David S. Goyer, a dupla de “O Cavaleiro das Trevas Renasce”.

«Homem de Aço» - O regresso de um ícone pronto para a porrada
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