“Homem-Formiga” (“Ant-Man”) é então o novo filme do Universo Cinematográfico da Marvel (o décimo segundo para ser mais exacto) e traz consigo a díficil missão de manter o público interessado num franchise cinematográfico que parece não ter planos para acabar. E se há coisa de que a Marvel/Disney não pode ser acusada neste caso é de não tentar.  Por vezes para fazer Cinema é preciso imaginação. Olhar para as coisas através de uma nova perspectiva; criatividade, vá, e “Ant-Man” tem imaginação a garrotes.

Tiremos apenas dois parágrafos para contextualizar a narrativa do filme: “Ant-Man” começa por levar-nos para o período da Guerra Fria, onde Howard Stark, Peggy Carter e a S.H.I.E.L.D. tentam desarmar tanto os Estados Unidos como a União Soviética para evitar males maiores, usando para isso a ajuda de Hank Pym (Michael Douglas) o criador das ultra-secretas Partículas Pym capazes de reduzir o tamanho a qualquer coisa, seres humanos incluídos. Hank Pym usa então um facto que lhe proporciona segurança durante o processo de alteração de tamanho e a habilidade de comunicar com todo o tipo de formigas. O fato proporciona também ao seu usuário a capacidade para manter a sua força, mesmo quando em tamanho milhares de vezes reduzido. Hank Pym é então o Homem-Formiga. Após vários incidentes,  Pym deixa de confiar na S.H.I.E.L.D. e no mundo cada vez mais militarizado e decide retirar-se da comunidade científica, isolando-se na sua mansão em San Francisco.

Os anos passam e o outrora aprendiz de Pym, o doutor Darren Cross (Corey Stoll) cria à revelia do seu mentor uma réplica mais militarizada e sofisticada do fato do Homem-Formiga. O agora envelhecido Pym e a sua filha Hope (Evangeline Lilly) recrutam um criminoso de bom coração chamado Scott Lang (Paul Rudd) para vestir o manto de Homem-Formiga e destruir os planos de Cross antes que estes tragam a destruição do mundo tal e qual o conhecemos.

A narrativa pode parecer um tanto-quanto complicada de explicar mas no entanto a forma como toda a exposição narrativa nos é apresentada torna tudo bastante simples, linear e fácil de entender, com bastantes cenas de acção interessantes, sendo sempre um filme bastante descontraído, sem cair nunca na auto-paródia ou na piada fácil.

A realização do filme está nas mãos de Peyton Reed (“Yes Man”, “Bring It On”) que pelo menos a mim, surpreendeu-me pela positiva nesta sua primeira aventura no Cinema de Acção, embora com a comédia  sempre presente, lembrando por exemplo “Guardians of the Galaxy” (que também pertence a este universo partilhado cinematográfico). Outra comparação  pode ser também feita com “Ocean’s Eleven” ou “Inception”, no sentido em que temos todos os elementos de um “Heist Film” polvilhado neste caso com bastante Ficção-Científica e Comédia. Esta fusão de géneros deve-se também a Edgar Wright (“Hot Fuzz”, “Sott Pilgrim VS The World”) e Joe Cornish (“Attack The Block”, “The Adventures of Tintin”). Wright esteve ligado aliás à realização deste projecto deste 2006, desde que as fundações do Universo Marvel no Cinema começaram a ser construídas, e esteve a trabalhar no argumento de “Ant-Man” com Cornish desde essa altura, abandonando o projecto à cerca de um ano e meio devido a diferenças criativas com a Marvel. Reed saltou para a cadeira de realizador e apesar dos temores dos fãs, “Ant-Man” dificilmente poderia ter saído melhor.

O elenco é no entanto o ponto mais forte de toda a produção; Paul Rudd tem vindo já ha alguns anos a mostrar que tem talento mais que suficiente para liderar um projecto. O seu carisma e habilidade para conseguir ser engraçado e, ao mesmo tempo credível fazem dele um excelente protagonista. Corey Stoll esteve também muito bem como o vilão do filme. Os vilões são geralmente o ponto fraco dos filmes da Marvel e apesar de Darren Cross não ser um vilão propriamente memorável, Stoll dá-lhe peso e credibilidade, o que por sua vez torna o filme melhor e mais interessante. Evangeline Lilly está a léguas dos seus tempos como Kate (em “LOST”)  e a sua personagem, bem como a relação pai-filha com Hank Pym adicionam um colorido bonito de ver. Por último temos Michael Douglas. A Marvel tinha que apostar forte num actor capaz de introduzir um super-herói cujos poderes incluem “ser ridiculamente pequeno” e “falar com as formigas” de forma credível e Michael Douglas não só faz isso na perfeição como ainda tem tempo para desenvolver a relação pai-filha com Evangeline Lilly e ainda mandar umas piadas sarcásticas aqui e ali.

No seu geral “Ant-Man” é um bocado bem-passado no Cinema e uma boa alternativa ao resto do cartaz de Verão, um dos melhores filmes da Marvel e arrisco mesmo dizer, um dos melhores filmes de Acção do ano (mas da estreia do novo “Star Wars” nada pode estar decidido) e o único ponto negativo de toda a experiência foi mais uma vez ter passado por uma má projecção dos cinemas NOS, onde o audio claramente não estava em condições e ninguém se pareceu importar, mesmo após se terem sido feitas algumas queixas. É engraçado vê-los a perder tempo com anúncios a condenar a pirataria mas quando chega a altura de uma pessoa pagar mais de seis euros para ir aos complexos ver um filme a qualidade esteja aquém daquilo que poderia e deveria ser.

Mas como Peyton Reed, Paul Rudd, Michael Douglas e companhia não têm culpa das más projecções feitas por cá, fica a recomendação para apreciarem este filme, seja de que forma for.

Realização: Peyton Reed

Argumento: Edgar Wright, Joe Cornish

Elenco: Paul Rudd, Michael Douglas, Corey Stoll, Evangeline Lilly, Anthony Mackie

EUA/2015 – Ação/Aventura

Sinopse: O cientista Hank Pym convence um ladrão chamado Scott Lang a trabalhar para ele, com o propósito de experimentar e defender a sua tecnologia de manipulação do tamanho dos seres vivos, criando assim o Homem-Formiga, uma criatura com uma super-capacidade de encolher fisicamente e ao mesmo tempo ficar muito mais forte, para combater os malfeitores do mundo.

“Homem-Formiga” - O herói mais pequeno acaba por ser o maior!
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