Subtotals

MDOC 2022: palmarés do festival de documentário premeia o comum e a afirmação do político

O festival minhoto MDOC, que se realizou entre 1 e 7 de agosto trouxe algumas das películas que marcaram o ano, destacando a programação nacional, entre a qual, “Alcindo” de Miguel Dores, recebeu a menção honrosa do PRÉMIO JEAN-LOUP PASSEK PARA MELHOR DOCUMENTÁRIO PORTUGUÊS. Acerca deste documentário, o júri do festival destaca: « Um retrato que traz à tona a tragédia e a violência ostensiva por trás do Dia da Raça e da vitória do Sporting Futebol Clube em 1995, onde 11 negros foram agredidos e 1 foi brutalmente assassinado. Através da utilização de imagens de arquivo, o realizador transporta-nos para o passado colonial de Portugal e traça os seus vestígios evidentes no presente, apelando ao reconhecimento da existência de um racismo enraizado no Portugal de hoje e mesmo na Europa. O filme relembra as atrocidades do colonialismo e do ódio racial. Realidades que a maioria dos europeus não racializados prefere ignorar. E é ao mesmo tempo uma poderosa homenagem a quem luta contra ela».

«Alcindo» de Miguel Dores e João Afonso Vaz

O melhor documentário português coube a “No Táxi de Jack” de Susana Nobre, e em Jack o júri encontra «Uma personagem extravagante numa situação de vida bastante comum: obrigado a seguir as burocracia do sistema para receber o subsídio de desemprego, apesar da reforma iminente. O filme convida-nos a uma fascinante viagem pelas várias etapas da sua vida. Viajamos com ele de volta às ruas de Nova York nos anos 70, à sua vida de imigrante, de operário de fábrica, de motorista. Oscilamos entre o presente e o passado num filme que joga lindamente e artisticamente com a fronteira entre realidade e ficção. Desfrutamos do passeio com Jack, da sua gentileza e do seu relacionamento calmo e curioso com a vida».

© Terratreme Filmes

No panorama internacional, os prémios JEAN-LOUP PASSEK foram atribuídos a “Subtotals”, de Mohammadreza Farzad, para Melhor Curta metragem de Documentário; e a “Four Seasons in a Day”, de Annabel Verbeke.

Em “Subtotals”, o documentário que passou pela Berlinale, o júri enaltece «[u]m estudo poético e assombroso sobre a vida, o amor e os mistérios do tempo; uma meditação existencial composta por filmagens caseiras de 8 mm que nos dão um vislumbre da vida das pessoas comuns. Ficamos hipnotizados pelo fluxo das imagens e pela clareza da imaginação, as certezas incertas de uma vida que não dá contas. Uma bela advertência de todas as pequenas e grandes coisas que experimentamos na vida e que não registamos ou nem sequer notamos».

 

Em “Four Seasons in a Day”, o prémio galardoa um documentário sobre o Brexit, ou nas palavras do júri: «[e]ste caleidoscópio inesperadamente comovente sobre pertença, identidade e a ameaça do grande desconhecido é muito mais do que um filme sobre o Brexit. Um retrato bem-humorado, leve e subtil sobre um povo preso entre fronteiras invisíveis e visíveis contra o pano de fundo da ansiedade latente da realidade política de hoje, com referências ao passado sangrento e ao que ainda está por vir, numa bela paisagem. Apesar de retratar uma realidade muito local, é um filme com o qual todos nos identificamos com facilidade, principalmente nos tempos atuais, quando as fronteiras, em todas as dimensões, são trazidas de volta à nossa realidade».

Four Seasons in a Day

Também no panorama internacional foi atribuída uma menção honrosa e coube a “In Flow of Words”, de  Eliane Esther Bots, na medida em que e nas palavras do júri: «[a] tradução não é apenas uma questão de utilização de palavras. É uma posição entre realidades, entre visões de mundo. Neste filme vívido e minimalista, os objetos e as memórias de três intérpretes do Tribunal desvendam sentimentos e emoções que devem ser escondidos em prol do fluxo da comunicação. A outro nível, o realizador deste filme discreto e sereno consegue criar uma transformação material e cinematográfica de situações de violência, trauma e choque». O mesmo documentário recebeu o PRÉMIO D. QUIXOTE PARA MELHOR CURTA METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO.

Já “Heza”, de Derya Deniz recebeu o PRÉMIO D. QUIXOTE PARA MELHOR LONGA METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO, pois «[o] júri acredita que este filme não está apenas bem escrito, interpretado e filmado, mas que é também um filme capaz de transportar o espectador para o interior do drama vivido pelo protagonista, através de imagens tocantes e através de imagens tocantes e de uma banda sonora envolvente. É uma homenagem à força das mulheres que lutam bravamente contra as adversidades».

Heza

PRÉMIO JEAN-LOUP PASSEK PARA MELHOR CARTAZ DE CINEMA foi para “Comezainas”, de Mafalda Salgueiro
e a Menção Honrosa atribuída a “Sycorax“, de Lois Patiño e Matías Piñeiro, Designer: Dani Sanchis.

 

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