«A Rede Social» – O Mundo a Seus Pés

“Não se conseguem 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos” é o mote de “A Rede Social”, o novo filme de David Fincher sobre o criador do Facebook, adaptado, por Aaron Sorkin, do livro “The Accidental Billionaires: The Founding of Facebook, A Tale of Sex, Money, Genius, and Betrayal”, de Ben Mezrich. Tem sido denominado como “O filme do ano e que define brilhantemente a década” e “Brilhante”.  David Fincher ganhou fama pelos seus filmes negros envolvidos em escuridão, mistério e obscuridade. Agora, com “A Rede Social”, realizou um drama que é muito menos moderno e muito mais clássico do que parece – o poder e a ambição.

“A Rede Social” é descrito por David Fincher como “um filme adulto para adolescentes” e como o “Citizen Kane dos filmes de John Hughes”. É comparado a “Citizen Kane” (1941) (“O Mundo a seus Pés”), de Orson Welles, por apresentar a ascensão de Mark Zuckerberg, director-executivo e co-fundador do site Facebook. Mas em “Citizen Kane” é possível ver a ascensão e queda do magnata William Randolph Hearst. Zuckerberg é actualmente o multimilionário mais jovem da História, tem apenas 26 anos, tinha 19 quando criou o Facebook. Tem “o mundo a seus pés”, pois o Facebook é a rede social mais influente do mundo, actualmente, e alterou o modo como comunicamos na internet. No filme de Fincher apenas temos a ascensão, pois ainda não houve tempo para uma possível queda. O que faz com que o filme seja presente, seja actual. Daí, Fincher, defender que “esta história tinha de ser contada agora e não daqui a dois anos”.

É preciso não esquecer que “A Rede Social” é uma ficção baseada, no livro do jornalista Ben Mezrich, em testemunhos de pessoas que viveram e trabalharam com Mark Zuckerberg. E mesmo que Mark Zuckerberg, diga que não vai ver o filme, ou que é ficção, a verdade é que ao contrário do que se esperava, a sua imagem não sai tão denegrida como se pensava. “A Rede Social” não é um filme sobre as implicações do Facebook, mas sim sobre o seu criador, Mark Zuckerberg. É um olhar sobre a criação da rede social e as condições em que se pratica a criação. O filme é contado através de flashbacks, onde assistimos aos julgamentos que Zuckerberg foi acusado, por traição e por roubo de identidade intelectual. Se o filme de Fincher é fiel à realidade, o Facebook nasceu a partir de uma série de acasos. Zuckerbger não roubou a ideia aos irmãos Winklevoss, ele baseou-se nessa ideia e tornou-a muito melhor. Porque dizer que ele roubou a rede social a outras pessoas é o mesmo que dizer, por exemplo, que as empresas de carros, Renault, Toyota, Ford, Peugeot, e muitas outras, roubaram a ideia original ao criador do automóvel, o alemão Karl Benz. Mas, todas as grandes ideias surgem assim, de uma série de acasos.

O argumento Aaron Sorkin, está muito bem conseguido, com diálogos fantásticos, a um ritmo eléctrico, o que obriga a uma grande concentração, por parte do espectador. As personagens falam de forma rápida, tal como o filme, que apesar de durar duas horas, desenrola-se a grande velocidade, tal como a ascensão de Mark Zuckerberg que foi rápida e como as novas gerações vivem o dia a dia de forma agitada. Apesar de o argumento ir a um ritmo intenso, a câmara de Fincher contraria tudo isto. A realização dá-lhe uma dinâmica anormal, filmado de forma calma, lenta, com alguns planos fixos, e num ambiente escuro, um pouco negro, o que de certa forma marca a autoria de Fincher, a fotografia de Jeff Cronenweth, que já trabalhou noutros filmes de Fincher, está muito bem conseguida. Penso que o argumento e a maneira como é contado, tornaram o filme moderno.

O elenco principal composto por Jesse Eisenberg (Mark Zuckerbger), Andrew Garfield (Eduardo Saverin), Justin Timberlake (SeanParker) e Rooney Mara (Erica Albright) está soberbo, com fantásticas interpretações.

“A Rede Social” é um filme sobre a adolescência, sobre o poder e a ambição. E penso que consegue criar uma imagem bastante positiva de Zuckerberg, como um génio que não sabe muito bem o que conseguiu com o Facebook. É sem dúvida um dos melhores filmes do ano e um dos melhores filmes americanos da década.

Realização: David Fincher

Argumento: Aaron Sorkin

Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield,  Justin Timberlake, Rooney Mara

EUA/2010 – Drama

Sinopse: Certa noite no ano de 2003, o génio da programação e aluno de Harvard, Mark Zuckerberg, senta-se ao computador e começa a trabalhar numa nova ideia. Aquilo que inicialmente era apenas uma mistura de programação e blogging, cedo se tornou numa rede social à escala mundial, que revolucionou a forma de comunicar. Seis anos e 500 milhões de amigos depois, Mark Zuckerberg é o mais novo bilionário da História… mas para este empresário, o sucesso vai trazer-lhe também problemas pessoais e legais.

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