The New York Times destaca “Ainda Estou Aqui” entre os melhores filmes de 2025, até à data

Além de “Ainda Estou Aqui”, a lista inclui títulos como “Pecadores”, de Ryan Coogler; “Presença”, de Steven Soderbergh; e “The Last Showgirl”, de Gia Coppola
Ainda Estou Aqui Ainda Estou Aqui
"Ainda Estou Aqui" (2024), de Walter Salles

O cinema brasileiro ganhou novo fôlego no estrangeiro com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que acaba de figurar na prestigiada lista dos melhores filmes de 2025, até ao momento, do The New York Times.

No compasso das memórias e dos afectos, a longa-metragem, protagonizada por Fernanda Torres, foi recomendada pelos críticos do jornal como uma das obras imperdíveis para o Memorial Day, feriado norte-americano celebrado nesta segunda-feira, 26 de Maio.

Entre dramas e surpresas da temporada, o filme partilha espaço com títulos como o misto de terror e acção “Sinners”, de Ryan Coogler; o suspense sobrenatural “Presença”, de Steven Soderbergh; e a comédia dramática The Last Showgirl”, de Gia Coppola — que assinala o renascimento artístico de Pamela Anderson. Mas é a delicadeza da produção brasileira que chama a atenção da crítica Alissa Wilkinson, que dedica palavras especiais ao desempenho de Torres.

“Na actuação — que lhe valeu um Globo de Ouro e uma nomeação ao Óscar — Torres impressiona. Proteger os filhos significa encontrar alegria no meio do medo, esperança em plena dor. Torres reveste a sua performance com todas essas emoções, e o seu olhar penetrante é magnético”, escreveu.

Ainda Estou Aqui

O filme, ambientado no Brasil na década de 1970, retrata um país em plena crise, cada vez mais controlado pela repressão da ditadura militar. Baseado nas memórias de Marcelo Rubens Paiva, a trama mergulha na dura realidade da família Paiva.

A viver numa casa à beira-mar, a família mantém as suas portas sempre abertas aos amigos. O carinho e o humor que partilham entre si tornam-se formas subtis de resistência à opressão que domina o país.

Contudo, essa harmonia familiar é quebrada por um acto violento e sem justificação, que alterará os seus destinos para sempre. Após o sequestro de Rubens pela Polícia Militar, que o faz desaparecer sob a sua custódia, Eunice vê-se obrigada a se reinventar e a procurar um novo caminho para ela e para os filhos.

Impacto no mercado audiovisual

Além dos prémios, “Ainda Estou Aqui” fez história no mercado audiovisual. Com mais de 5 milhões de espectadores e uma arrecadação de R$ 104,7 milhões, o filme consolidou-se como a terceira maior bilheteira nacional desde 2018, superado apenas por “Minha Mãe é uma Peça 3” (2018), de Susana Garcia, e “Nada a Perder” (2019), de Alexandre Avancini, conforme dados da Secretaria de Regulação da Ancine.

Esse êxito nas bilheteiras teve reflexos positivos em todo o mercado audiovisual. Apenas em 2025, “Ainda Estou Aqui” foi responsável por 32% do público de filmes nacionais, o que contribuiu para uma quota de mercado de 30,1% do cinema brasileiro nesse período. Sem a sua presença, a participação nacional cairia para 22,1%.

No Brasil, após a estreia em setembro de 2024, o filme rapidamente ganhou uma ampla projecção. A vitória de Fernanda Torres nos Globos de Ouro foi um ponto de inflexão, levando a um aumento de 57% no público na semana seguinte e um impressionante crescimento de 122% na semana posterior.

A nomeação aos Óscares, anunciada em 23 de janeiro de 2025, foi mais um impulso, resultando num aumento de 89% no público semanal. Em fevereiro, a Semana do Cinema provocou um salto extraordinário de 174% na bilheteira, marcando a segunda melhor semana de exibição desde o lançamento.

O sucesso de “Ainda Estou Aqui” reflecte um momento promissor para o cinema brasileiro e reforça a importância das políticas públicas de apoio ao audiovisual.

Para os interessados em dados e métricas, a Ancine, através do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), disponibiliza painéis interactivos com dados actualizados sobre o mercado de exibição no Brasil, permitindo o acompanhamento do impacto de produções como esta.

Veja a lista completa do The New York Times, organizada por ordem de preferência dos críticos:

“Sinners” (2025), de Ryan Coogler

“Ainda Estou Aqui” (2024), de Walter Salles

“Black Bag” (2025), de Steven Soderbergh

“Friendship” (2024), de Andrew DeYoung

“Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl” (2024), de  Nick Park e Merlin Crossingham

“Eephus” (2025), de Carson Lund

“The Annihilation of Fish” (1999), de Charles Burnett – Restaurado

“Caught by the Tides” (2024), de Jia Zhangke

“Presence” (2024), de Steven Soderbergh

“The Last Showgirl” (2024), de Gia Coppola