Um Filme em Forma de Assim (2022, João Botelho) © Ar de Filmes

IndieLisboa 2022: competição nacional de longas mais longa e as estreias dos filmes de Botelho e de Bodanzky

O IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema regressa do dia 28 de Abril ao dia 8 de Maio, e terá lugar entre o Cinema São Jorge, a Culturgest, a Cinemateca Portuguesa, o Cinema Ideal e a Biblioteca Palácio Galveias.

Esta é a edição do IndieLisboa que terá a Competição Nacional de Longas mais extensa da história do festival, no total são 9 longas metragens. Entre essas longas-metragens, destacam-se, nomeadamente:

O filme FRÁGIL, realizado por Pedro Henrique, e que foi seleccionado para integrar a competição oficial de longas-metragens da 60ª edição do Ann Arbor Film Festival, no passado mês. O conflito entre a procura do prazer individual e a aceitação da pluralidade de um grupo de amigos é o mote deste filme, inspirado na realidade quotidiana e festiva dos jovens em Lisboa, cuja estreia mundial aconteceu no dia 25 de março neste festival de cinema experimental norte-americano. Esta é a segunda longa-metragem de Pedro Henrique, que assina o argumento e a realização, afirmando: “Se no tempo do clássico o cinema era associado ao sonho, no capitalismo psicotrópico e punk do século XXI o cinema já só se pode manifestar como trip. Esta trip é ainda a possibilidade anárquica de fuga ao mundo das instituições e da obrigação, sejam eles o trabalho, a família ou as grandes corporações (e clubes!) que regulam a indústria da noite. É esta a vida que partilho com os meus amigos, a que só a força alucinatória do cinema poderia fazer justiça. ” FRÁGIL é uma produção da Promenade em colaboração com as produtoras portuguesas Videolotion e a Around Meridian.

 

Depois da passagem pela Berlinale 2022 na Seccção paralela Fórum, e de ter sido Um maracujá que grita em Berlim, ou o alien de Jorge Jácome chamado Super Natural, a primeira longa de Jorge Jácome, mistura documentário, ficção e cinema experimental e é protagonizado por algumas das pessoas com deficiência que fazem parte da Dançando com a Diferença, atuando em espaços naturais e urbanos exuberantes da ilha da Madeira.

 

O filme Águas do Pastaza (Juunt Pastaza Entsari), realizado por Inês T. Alves, depois de ter integrado a secção Generation da 72ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlimfaz parte da competição nacional de longas do Indie. Esta é a primeira longa-metragem da realizadora portuguesa que, depois de ter vivido dois meses em Suwa, uma comunidade isolada de cerca de 80 habitantes na floresta amazónica equatoriana e de ter desenvolvido uma relação próxima com as crianças, teve a ideia de criar este documentário. No filme, acompanhamos o dia-a-dia das crianças de Suwa extremamente independentes, mostrando a sua ligação íntima com a natureza, bem como a sua relação com as novas tecnologias, fenómeno bastante recente na comunidade. Águas do Pastaza é uma produção da Oublaum Filmes.

 

Em competição internacional de longas, mais uma recém passagem pela Berlinale 2022, na secção Fórum, e fruto da realização conjunta entre o brasileiro Adirley Queirós e a portuguesa Joana Pimenta, o filme “Mato seco em chamas” trabalha entre as realidades das vidas de Léa, Chitara e Andreia na Ceilândia, periferia de Brasília, e o seu negócio de venda de petróleo, encontrado em oleodutos sob a cidade. Num momento em que o Brasil atravessa mudanças dramáticas no seu cenário político, o filme procura responder à questão e ao slogan nacional: e se o petróleo fosse mesmo nosso?. Vencedor, recentemente, do Grande Prémio da Competição Internacional do festival Cinema du Réel – Festival International du film documentaire . Os realizadores trabalham em conjunto desde 2017, nomeadamente desde Era uma vez Brasília, em que Joana Pimenta foi a diretora de fotografia deste filme realizado por Adirley Queirós e, além de Mato Seco em Chamas, a dupla está a trabalhar numa nova curta-metragem ainda em produção intitulada Rádio Coração. Mato Seco em Chamas é uma produção da5 da Norte e da Terratreme Filmes.

Mato Seco em Chamas
© TerraTreme

 

Depois da sua primeira longa-metragem Verão Danado ter estreado em competição, em 2017, no festival de Locarno, onde recebeu uma menção especial do júri, Pedro Cabeleira voltou a apresentar um filme em competição Berlinale Shorts. Com direcção de fotografia de Leonor Teles e interpretações de Ana Vilaça, Rodrigo Manaia e Tiago CostaBy Flávio é a segunda curta-metragem de Pedro Cabeleira e o seu terceiro filme. A história centra-se em Márcia, uma jovem mãe solteira do interior do país, com mais ambição do que trabalhar na loja de roupa do centro comercial da zona. Ser mãe não a impediu de sonhar mais e não a fez retrair-se num papel tradicional, comum numa sociedade conservadora, como a do interior de Portugal, refere o realizador.

 

Azul, de Ágata de Pinho, acompanha Ara que acredita que desaparecerá quando fizer 28 anos, e que, à semelhança da estreia de Madrugada, de Leonor Noivo, e de A CRIANÇA, primeira longa-metragem de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois, passaram pelo Festival de Cinema de Roterdão, também integra as curta-metragens do IndieLisboa.

 

Tornar-se um Homem na Idade Média, de Pedro Neves Marques, acompanha dois casais que lidam com problemas de fertilidade, mas não de uma forma convencional. O filme de Pedro Neves Marques é um conto íntimo sobre sexualidade queer, autonomia corporal, desejos reprodutivos e o fantasma da normatividade, lê-se em comunicado.

 

Fora de Competição, destacamos Coma, de Bertrand Bonello, que passou brilhantemente no Encounters da Berlinale 2022, e que explora o comportamento online e o consumo de conteúdo através dos olhos de uma adolescente, protagonizada por Louise Labeque, que já aparecia no anterior filme do realizador, Zombie Child. Trancada em seu quarto, sua única relação com o mundo exterior é virtual. Quando a adolescente dorme, nós somos convidados a explorar os seus sonhos e pesadelos. E assim, navegando por entre sonho e realidade, ela é guiada por uma misteriosa e enigmática YouTuber, Patricia Coma (Julia Faure).

A edição que dedica a Retrospectiva à realizadora Doris Wishman, retorna a secção Novíssimos, secção competitiva composta por um conjunto de filmes de jovens cineastas que estão a dar os seus primeiros passos e que, na edição passada, contou com o brilhante Fruto do Vosso Ventre, de Fábio Silva.

Duas estreias marcam a passagem do Corvo pela capital do país, o aguardado com muita expectativa e depois de algum atraso causado pela pandemia covid-19, A Viagem de Pedro, de Laís Bodansky finalmente chega a este lado do Atlântico, bem como, haverá a possibilidade de assistir ao mais recente filme de João Botelho, Um Filme em Forma de Assim.

Depois da estreia mundial na na 45.ª Mostra de Cinema de São Paulo, Cauã Reymond protagoniza e assina a produção, numa aventura luso-brasileira que junta as produtoras Buriti Filmes, Biônica Filmes, Sereno Filmes, e O Som e a Fúria. Mergulhado num oceano de contradições e de memórias que reflectem a conquista e a chegada ao trono, o reinado de Dom Pedro serve de mote para o filme se interrogar sobre o retrato do Brasil, na sua tensão com Portugal e a Escravatura. A Viagem de Pedro será exibido a 8 de Maio, às 21h30, na Culturgest, como Filme de Encerramento do festival, com a presença da realizadora e do elenco do filme. Terá estreia nas salas de cinemas nacionais a 19 de Maio.

 

Um Filme Em Forma de Assim, a nova longa-metragem de João Botelho baseada na obra de Alexandre O’Neill, é uma homenagem do realizador ao escritor português, que continua a viagem literária a que Botelho nos acostumou. Conta com a assinatura do realizador e de Maria Antonia Oliveira (Alexandre O’Neill: Uma Biografia Literária) no argumento. Produzido pela Ar de Filmes, Um Filme Em Forma de Assim terá a sua antestreia a 28 de abril, na 19ª edição do IndieLisboa e chega a 12 de maio aos cinemas nacionais.

 

Os bilhetes poderão ser comprados na Ticketline ou nas bilheteiras físicas do festival a partir do dia 14.

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