Paul Thomas Anderson vence DGA e reforça estatuto de favorito aos Óscares

“Batalha Atrás de Batalha” garantiu a Paul Thomas Anderson a sua primeira vitória no DGA de Melhor Realização
Paul thomas anderson, dga, batalha atras de batalha Paul thomas anderson, dga, batalha atras de batalha
Via: DGA

Paul Thomas Anderson conquistou, na noite de sábado (7), o prémio principal de Melhor Realização na 78.ª edição dos DGA Awards, graças a “Batalha Atrás de Batalha”. A cerimónia teve lugar no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, o mesmo palco dos Globos de Ouro. Esta foi a primeira vitória do cineasta na premiação, após nomeações anteriores por “Licorice Pizza” (2021) e “Haverá Sangue” (2007).

Anderson disputava o galardão com quatro realizadores associados à actual temporada de prémios, entre eles três nomeados ao Óscar: Ryan Coogler (“Pecadores”), Josh Safdie (“Marty Supreme”) e Chloé Zhao (“Hamnet”). A lista incluía ainda Guillermo del Toro (“Frankenstein”), que acabou por ficar de fora da corrida ao Óscar de Realização, lugar ocupado por Joachim Trier (“Valor Sentimental”).

Ao receber o prémio, Anderson dirigiu-se ao presidente da DGA, Christopher Nolan, com humor: “É uma honra, presidente Nolan”, frase que provocou gargalhadas na plateia.

No discurso, evocou Encontros Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg, para descrever a experiência colectiva do cinema como “um chamamento quase cósmico”, acrescentando, num tom auto-irónico, que fazer filmes “é algo que amamos profundamente — talvez até um vício”.

Num dos momentos mais emotivos da noite, o realizador prestou homenagem ao produtor e primeiro assistente de realização Adam Somner, amigo próximo, falecido em 2024, vítima de cancro da tiroide.

“Estamos aqui hoje com menos um”, afirmou Anderson, sublinhando a importância de Somner na segurança e no espírito das filmagens. “Ele levou este trabalho muito a sério sem nunca se levar a si próprio demasiado a sério. Fez-nos sentir seguros. E isso é um dom raro.”

Visivelmente emocionado, concluiu com um apelo à plateia:

“Desejo a todos nesta sala que encontrem um amor profissional como aquele que tive por ele. Se já o têm, mantenham-no por perto e digam-lhe que o amam. Ele ficaria muito feliz com isso.”

Panorama

Ryan Coogler voltou a fazer história ao tornar-se apenas o quinto realizador negro a competir nesta categoria nos DGA Awards, depois de Spike Lee, distinguido em 2018 por “BlacKkKlansman”. Até à data, no entanto, nenhum cineasta negro venceu o prémio máximo do sindicato.

Chloé Zhao, vencedora do DGA em 2021 por “Nomadland”, soma agora uma nova nomeação e passa a integrar um grupo restrito de realizadoras com múltiplas indicações, ao lado de Kathryn Bigelow, Jane Campion e Greta Gerwig.

Guillermo del Toro, por sua vez, já tinha sido distinguido pelo DGA em 2018 com “A Forma da Água”, enquanto esta representou a primeira nomeação de Josh Safdie na premiação.

Um bom parâmetro?

A história sugere que sim. Desde 1948, quando os DGA Awards foram criados, o vencedor do prémio de longa-metragem teatral acabou por antecipar o Óscar de Melhor Realização em quase todos os casos, com apenas oito excepções em mais de sete décadas. Nos últimos cinco anos, a coincidência foi total, o que ajuda a explicar por que razão o sindicato é visto como o barómetro mais fiável da Academia.

Os exemplos recentes ajudam a sustentar essa leitura. Em 2024, Sean Baker venceu o DGA por “Anora” e acabaria por repetir a vitória no Óscar, com o filme a conquistar também o prémio de Melhor Filme.

Dois anos antes, Christopher Nolan percorreu o mesmo caminho com “Oppenheimer”.

O sucesso de Batalha Atrás de Batalha

Se alguém ainda duvidava do talento de Paul Thomas Anderson, “Batalha Atrás de Batalha” chega e dá-lhe um abanão. Não é daqueles filmes que se consomem por obrigação, com o espectador a bocejar a cada cena; exige atenção, mas recompensa generosamente com momentos que agarram do início ao fim.

Max Weiss, da Baltimore Magazine, confessou que “é impossível dizer o quanto este filme é divertido”, enquanto Nick Bradshaw, da Sight & Sound, descreveu-o como “uma viagem incrível” e Caryn James, da BBC, destacou uma perseguição de carro que deixa qualquer um com o coração aos saltos, como se estivesse numa montanha-russa de verdade.

Leonardo DiCaprio lidera o elenco, acompanhado por Sean Penn e Benicio del Toro, formando um trio capaz de segurar a atenção do público, mas nem isso garante salas cheias. A bilheteira mostra bem o paradoxo. Até ao momento, o filme arrecadou US$ 208,3 milhões no mundo inteiro, sendo US$ 72,1 milhões nos Estados Unidos e US$ 136,2 milhões no mercado internacional. Um número impressionante, mas insuficiente. Segundo a Warner Bros., seriam necessários cerca de US$ 300 milhões para cobrir produção e marketing, avaliados em mais de US$ 140 milhões.

Ainda assim, críticos e especialistas destacam que o boca a boca é positivo e que a experiência em grandes salas lhe garante uma longevidade considerável, incluindo relançamentos, streaming e televisão. O filme continua em exibição nos cinemas e já chegou a plataformas digitais.

Para a Warner, o investimento não se mede apenas em dólares, mas também em prestígio e afirmação de identidade, especialmente em tempos de disputa entre Netflix e Paramount pela aquisição do estúdio. Apostar em Anderson mantém o estúdio como um refúgio para cineastas autorais e garante a presença de estrelas como DiCaprio.

Confira os vencedores do DGA nas categorias de cinema:

Melhor Direção Cinematográfica: Paul Thomas Anderson (“Batalha Atrás de Batalha”)
Direcção de Estreia em Cinema: Charlie Polinger (“The Plague”)
Filme para Televisão: Stephen Chbosky (“Nonnas”)
Documentário (Longa-metragem): Mstyslav Chernov (“2000 Meters to Andriivka”)