“O Discurso do Rei”: Sons, palavras, gagueira e a guerra

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No dia 16 de abril é celebrado mundialmente o Dia Mundial da Voz, uma data que busca aumentar a conscientização sobre a importância dos cuidados com a saúde vocal e destacar o papel fundamental da voz na qualidade de vida. Essa comemoração teve início no Brasil em 1999 e, a partir de 2003, expandiu-se como uma celebração internacional, com eventos sendo organizados em diversos países ao redor do mundo.

Neste contexto, é importante ressaltar a necessidade de compreensão e apoio aos indivíduos que enfrentam o desafio do distúrbio da gagueira. O Dia Mundial da Voz é uma oportunidade para disseminar informações sobre a gagueira, promover a inclusão e sensibilizar a sociedade sobre as necessidades e direitos das pessoas que vivem com esse distúrbio da fala, que afeta de forma diferente a voz.

Conforme abordado por Maria Helena Varella, no portal Drauzio Varella, a gagueira é um distúrbio neurobiológico da fluência da fala, cuja origem provavelmente está relacionada ao funcionamento inadequado dos núcleos de base, que são aglomerados de células nervosas responsáveis pelo controle da motricidade. Essas estruturas têm a função de facilitar a comunicação entre diferentes áreas do cérebro, possibilitando a realização de movimentos complexos. Quando não funcionam corretamente, podem afetar a sequência motora da fala, resultando em alongamentos, bloqueios e repetições características da gagueira.

A gagueira, de acordo com a fonoaudióloga Fernanda Papaterra Limongi em entrevista a Maria Helena Varella, é um distúrbio multifatorial que geralmente se manifesta na infância e pode persistir na vida adulta. Três fatores estão envolvidos no seu aparecimento e manutenção: fatores predisponentes, fatores precipitantes predominantemente ambientais e fatores perpetuantes, que incluem sentimentos como medo e ansiedade diante de situações que envolvem a comunicação oral.

Nesse sentido, é fundamental que a sociedade compreenda e apoie as pessoas que vivem com gagueira, proporcionando-lhes um ambiente inclusivo e acolhedor. A conscientização sobre a gagueira é essencial para combater o estigma e os preconceitos associados a esse distúrbio, promovendo a aceitação e a compreensão.

Além disso, é importante que os profissionais da saúde, educadores e familiares estejam preparados para oferecer o suporte necessário às pessoas que enfrentam a gagueira, por meio de avaliações e tratamentos adequados. O acesso a serviços de fonoaudiologia e terapia da fala pode ser fundamental para o desenvolvimento da comunicação e qualidade de vida desses indivíduos.

Neste Dia Mundial da Voz, é importante lembrar que a voz é uma ferramenta valiosa de comunicação e expressão para todos. Independentemente das dificuldades de fala que possam enfrentar, todos têm o direito de serem ouvidos e compreendidos. A conscientização sobre a gagueira deve ser promovida, a inclusão incentivada e o apoio oferecido àqueles que enfrentam esse desafio. Assim, contribuiremos para a construção de uma sociedade mais inclusiva e empática.

Nesse contexto, para pintar um quadro sobre a temática da gagueira, mergulhamos no filme “O Discurso do Rei” (2010), realizado com maestria por Tom Hooper, o talentoso realizador por trás de obras icônicas como “Os Miseráveis” (2012), “A Rapariga Dinamarquesa” (2015) e “Cats” (2019).

 

Este filme envolvente é uma verdadeira ode à resiliência humana, destacando os desafios e triunfos de pessoas que lutam contra a gagueira. Através da jornada inspiradora do rei George VI, pai da amada rainha Elizabeth II, testemunhamos a coragem e a determinação de superar adversidades aparentemente intransponíveis.

“O Discurso do Rei” é uma obra-prima cinematográfica que toca profundamente a alma, reforçando a poderosa mensagem de que não importa o quão difícil a jornada possa ser, com perseverança e apoio, é possível superar todas as barreiras e encontrar a voz que estava destinada a brilhar.

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Divulgação

O rei gago

O tímido príncipe herdeiro Albert Frederick Arthur George, Duque de Iorque, estava perfeitamente satisfeito em não ser o próximo na linha de sucessão ao trono britânico. A oratória não era o seu ponto forte, sofrendo de gagueira e enfrentando dificuldades em pronunciar palavras. Na aristocracia britânica, a gagueira era considerada uma “fraqueza de caráter”.

No entanto, com o entendimento de que seu irmão mais velho, Edward VIII, assumiria a coroa, George estava tranquilo, tendo apenas que suportar as rígidas ordens disciplinares de seu pai, o rei George V, durante uma infância restrita na década de 1890.

George tinha um medo avassalador de falar em público, que foi intensificado após o seu constrangedor discurso de encerramento da Exposição do Império Britânico em Wembley, em 31 de outubro de 1925. Como resultado, ele buscou a ajuda de um terapeuta da fala, o fonoaudiólogo australiano Lionel Logue (1880-1953).

Após várias sessões de exercícios respiratórios e treinamento de fala, George conseguiu superar suas hesitações e falar com mais fluência. Em 3 de setembro de 1939, ele fez um discurso ao vivo no rádio, quando a Grã-Bretanha entrou na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Ainda assim, o destino reservava a George um papel ainda maior. Com a morte de seu pai, o rei George V, em 20 de janeiro de 1936, seu irmão mais velho Edward VIII assumiu o trono. Apesar disso, menos de um ano depois, em 11 de dezembro de 1936, Edward abdicou do trono para se casar com Wallis Simpson, uma socialite estadunidense divorciada duas vezes, o que a impossibilitava de se tornar rainha consorte.

Como resultado da abdicação de Edward, o príncipe George Albert ascendeu ao trono. Ele assumiu o nome de rei George VI e sua coroação ocorreu na Abadia de Westminster em 12 de maio de 1937.

 

O famoso discurso

 

 

A adaptação cinematográfica

O longa de Hooper é iniciado com uma cena emblemática em que o Príncipe Albert, Duque de York, interpretado por Colin Firth, enfrenta uma multidão no encerramento da British Empire Exhibition de 1925, no Estádio de Wembley, ao lado de sua esposa Elizabeth, interpretada por Helena Bonham Carter. No entanto, a gagueira de Albert durante seu discurso deixa o público perplexo e surpreso, destacando seu problema de comunicação.

 

Em busca de uma solução para sua gagueira, o Príncipe Albert tenta várias abordagens de tratamento, mas acaba desanimando. É quando sua esposa o convence a visitar Lionel Logue, um terapeuta de fala australiano que reside em Londres, interpretado por Geoffrey Rush.

Na primeira sessão, Logue adota uma abordagem não convencional, quebrando a etiqueta real ao chamar o Duque de York pelo apelido e pedindo que se tratem informalmente. Ele persuade Albert a ler o famoso monólogo “Ser ou não ser” da peça Hamlet de Shakespeare, enquanto ouve a ópera “Le nozze di Figaro” de Mozart em fones de ouvido. Logue grava a leitura de Albert em um disco de vinil como parte do tratamento.

 

Todavia, Albert, convencido de que gaguejou durante toda a sessão, deixa o consultório irritado. Apesar disso, Logue oferece-lhe a gravação como uma lembrança, mostrando seu compromisso em ajudar o Príncipe a superar suas inseguranças e encontrar sua voz. Essa cena inicial estabelece o conflito central do filme e introduz os personagens principais, destacando a jornada emocional e terapêutica que Albert embarcará para superar sua gagueira e assumir seu papel como líder.

Em uma outra cena, após proferir seu discurso de Natal em 1934, o rei George V (interpretado por Michael Gambon) oferece uma análise perspicaz a seu filho sobre a importância da radiodifusão para a monarquia moderna. Contudo, quando o jovem Albert tenta ler o texto em voz alta para seu pai, ele enfrenta dificuldades evidentes, lutando para articular as palavras e gaguejando várias vezes. Essa condição de gagueira, embora Albert compreenda claramente o que deseja dizer, o impede de ajustar o ritmo e a duração dos sons, resultando em repetições, prolongamentos ou até mesmo interrupções na fala diante de sons que ele percebe como desafiadores para articular com fluidez. A reação do rei George V à dificuldade de seu filho é de nervosismo, destacando a tensão entre a compreensão clara do significado das palavras e os desafios na expressão fluente da fala devido à gagueira.

 

Naquela mesma noite, Bertie (como era conhecido na intimidade) estava se sentindo deprimido com a sua condição de gagueira. Em busca de distração, ele decide ouvir a gravação de Logue. Para sua surpresa, ele percebe que não gagueja enquanto declama um trecho de Hamlet. Isso pode ser explicado pelo fato de que pessoas com gagueira muitas vezes são fluentes quando cantam, declamam poemas, imitam sotaques ou repetem falas de personagens teatrais, porque essas atividades estimulam uma região diferente do cérebro, o hemisfério direito, em comparação com a fala espontânea, que é controlada pelo hemisfério esquerdo e pode apresentar falta de sincronia.

 

Esse acontecimento leva Bertie a retornar ao consultório de Logue, onde eles têm uma conversa séria sobre as condições do tratamento. Eles passam a trabalhar juntos em técnicas de relaxamento muscular e controle respiratório, enquanto buscam identificar a origem psicológica da gagueira.

 

Entretanto, o filme não oferece contribuições diretas em relação aos tratamentos para a gagueira, o que é compreensível, uma vez que a história se passa na década de 30, quando pouco se sabia sobre a gagueira como um fenômeno neurológico e as especulações sobre suas causas eram limitadas.

Apesar disso, o filme retrata a presença de exercícios respiratórios e rítmicos, que são comuns em tratamentos atuais. No entanto, também são mostrados procedimentos equivocados e prejudiciais, como fumar para relaxar as pregas vocais, que na vida real provavelmente causaram problemas de saúde, como câncer pulmonar, entre outros.

Felizmente, o filme trata essas práticas de forma jocosa, deixando claro que não são efetivas para melhorar a qualidade da fala. Embora o filme apresente algumas intuições sobre fenômenos cerebrais que são fundamentais para tratamentos efetivos atuais, essas ideias não são desenvolvidas ao longo da trama.

 

Contudo, ao assistir a esse filme inspirador, somos levados a uma jornada poderosa de superação e triunfo, que nos lembra que, com determinação e apoio, qualquer obstáculo pode ser superado e que a verdadeira coragem reside na capacidade de enfrentar nossos medos e encontrar nossa voz, independentemente das adversidades que possamos enfrentar. “O Discurso do Rei” é um lembrete comovente de que todos têm o poder de se levantar, enfrentar seus desafios de frente e encontrar sua própria voz, não importa quão difícil possa parecer.

 

 

Visão profissional

No artigo “Através do filme “O Discurso do Rei”, pudemos falar ao mundo, publicado em 2011 pelo Instituto Brasileiro de Fluência, a doutora Ana Flávia Lopes Magela Gerhardt aborda a representação da gagueira no cinema e destaca como o filme em questão desafia os estereótipos negativos normalmente associados a pessoas que gaguejam.

A especialista ressalta que, ao contrário da maioria dos filmes, que retratam pessoas que gaguejam como insignificantes, pouco inteligentes ou desinteressantes, “O Discurso do Rei” apresenta o protagonista, o Rei George VI da Inglaterra, como um ser humano complexo e diferenciado, enfrentando os desafios de liderar uma nação durante uma guerra dolorosa, e sendo limitado em sua comunicação pelo seu distúrbio da fala.

Gerhardt destaca a importância da realização técnica do filme na transmissão da experiência de George VI e sua luta para superar a gagueira. O uso de planos fechados e closes é enfatizado pela especialista, pois permite ao espectador compreender plenamente as dificuldades enfrentadas por uma pessoa que gagueja ao tentar evitar a gagueira. Essas imagens também revelam a angústia compartilhada por todos ao redor do Rei, mostrando suas reações diante das dificuldades e sucessos dele em busca de uma fala fluente.

Gerhardt ressalta que a exposição desses rostos torna cruel a ideia de que a gagueira de George VI seria um sinal de covardia ou incapacidade, como alguns personagens do filme sugerem. Na verdade, argumenta a especialista, em certos momentos foram os outros personagens que foram covardes e incapazes quando a História exigiu que assumissem seu lugar e eles declinaram.

A performance de Colin Firth, o ator que interpreta George VI, é destacada pela doutora Gerhardt como autêntica e poderosa na representação das emoções de uma pessoa que gagueja. Ela menciona uma entrevista em que Firth reconheceu o fardo que as pessoas que gaguejam carregam, afirmando que ele próprio, assim como os gagos, teve que vivenciar o sacrifício que é tentar não gaguejar.

Gerhardt argumenta que essa revelação impactante provocará uma nova perspectiva no público, mostrando que a gagueira não é algo simples ou voluntário, mas sim uma condição que causa sofrimento e exige coragem para enfrentar. A especialista também elogia a habilidade de Colin Firth em retratar personagens complexos e interessantes, cuja força é revelada através das dificuldades que enfrentam, como é o caso do Rei George VI, apesar de ter começado sua carreira interpretando homens poderosos e decididos.

 

 

Parte técnica

Óscares

Na 83ª edição dos Óscares, o longa recebeu um total de 12 nomeações, sendo premiado com quatro estatuetas. As categorias em que foi premiado foram Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Argumento Original.

 

O filme também recebeu nomeações nas categorias de Melhor Ator Secundário, Melhor Atriz Secundária, Melhor Banda Sonora, Melhor Mixagem de Som, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Guarda-roupa e Melhor Edição.

 

Realização

Sob a realização de Tom Hooper em “O Discurso do Rei”, foi evidenciado o fardo de se tornar um rei. Ao contrário do que muitos podem pensar, não há glamour que possa apagar as enormes responsabilidades de liderar uma nação. Embora o rei não possua o poder de ação de um primeiro-ministro, é ele quem precisa manter as aparências e cumprir com suas obrigações reais. Hooper utilizou diversas técnicas de filmagem para evocar os sentimentos de constrição que o rei enfrenta.

Hooper retratou de forma realista o peso que a realeza carrega, destacando que o glamour muitas vezes é apenas uma fachada para as verdadeiras responsabilidades e pressões do cargo. Utilizando técnicas de filmagem cuidadosamente selecionadas, ele capturou a sensação de restrição e opressão que o protagonista, o rei George VI, enfrenta em seu papel como líder de uma nação.

Essa abordagem autêntica de Hooper adicionou profundidade emocional ao filme, mostrando o lado menos glamoroso do papel de um rei e destacando a complexidade do personagem principal e seu desafio em encontrar sua própria voz e confiança em meio às expectativas e responsabilidades impostas a ele.

 

 

Argumento

O argumentista David Seidler, que também gaguejava na infância devido ao trauma emocional da guerra, foi inspirado a estudar a vida de George VI. Ele afirmou que os melhores diálogos do filme não foram de sua autoria, mas sim retirados diretamente do diário de Lionel Logue, o fonoaudiólogo autodidata, revelados apenas cinco anos atrás pelo neto de Logue. Seidler sempre foi fascinado pela história de superação do monarca, o que o levou a desenvolver o argumento e, posteriormente, o argumento de “O Discurso do Rei”.

É importante mencionar que, na época, Seidler estava enfrentando um câncer e usou esse período difícil para se dedicar à construção da narrativa do filme. Depois de completar o roteiro e ter conseguido a remissão do câncer, ele mostrou seu trabalho à esposa. Embora ela tenha gostado do roteiro, achou que estava cheio de linguagem técnica de cinema e sugeriu que ele o reescrevesse como uma peça de teatro, para que ele se concentrasse mais nos personagens. Seidler tomou a decisão de rasgar o roteiro original e escrever uma peça do zero, baseando-se em suas pesquisas.

Após completar a peça, Seidler percebeu que realmente havia gostado do resultado e a enviou para algumas pessoas para obter opiniões. O texto acabou chegando às mãos de Tom Hooper, que adaptou a peça para as telonas. Como resultado, Seidler ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original pelo seu trabalho em “O Discurso do Rei”.

 

Banda sonora

A banda sonora original ficou a cargo de Alexandre Desplat, que demonstrou cuidado em não sobrepor a dramaturgia do filme. Em suas composições, Desplat utilizou um arranjo disperso de cordas e piano, com o objetivo de transmitir a tristeza do silêncio do Príncipe e o crescente calor da amizade entre ele e Logue. Ele foi extremamente preciso ao usar a repetição de uma única nota para representar a monotonia da fala do Príncipe Albert.

É interessante observar que, à medida que o filme progride, blocos sonoros de cordas embalam a amizade entre os dois personagens, culminando no clímax durante a cena da coroação. Desplat buscou criar uma sonoridade que estivesse de acordo com a época retratada no filme, e para isso, utilizou microfones que haviam sido especialmente feitos para a família real, retirados dos arquivos da EMI. Esses cuidados meticulosos com a trilha sonora contribuíram para a atmosfera única do filme.

 

Cenografia, fotografia e guarda-roupa

A cenografia foi um desafio para Judy Farr, uma vez que produções de época exigem muitos recursos e o orçamento estava limitado a £10 milhões. No entanto, era crucial que o filme fosse autêntico, combinando a elegância real com a miséria da época da depressão em Londres.

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A cenografia de Judy Farr

A fotografia de Danny Cohen foi propositalmente levemente escura, realçando a sobriedade da realeza inglesa, que é evidente no comportamento, respeito e tradição da família real. Eles eram discretos, enquanto a indumentária exibia glamour e riqueza.

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A fotografia de Danny Cohen

Jenny Beavan, responsável pelo guarda-roupa, retratou de forma precisa a moda dos anos 1930 no filme. Situado entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, o contexto europeu ainda possuía vestígios de riqueza, especialmente para a monarquia. Joias, peles, chapéus e os cortes impecáveis da alfaiataria inglesa para os homens eram um deleite para os amantes da moda.

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O guarda-roupa de Jenny Beavan

A harmonia entre a cenografia, fotografia e guarda-roupa em “O Discurso do Rei” resultou em uma representação visual detalhada e autêntica do período histórico retratado no filme, mesmo com o desafio do orçamento limitado.

 

Desempenhos

Colin Firth foi merecidamente premiado com o Óscar de Melhor Ator por sua atuação como o Rei George VI. Sua química com Geoffrey Rush, que interpreta o fonoaudiólogo Lionel Logue, e com Helena Bonham Carter, que interpreta Elizabeth, a esposa do rei, é notável, fluindo de maneira espontânea e natural. É gratificante ver Helena Bonham Carter em um papel sóbrio e dramático, e o desempenho do trio é o ponto alto do filme.

 

Hooper soube desenvolver com maestria a dinâmica do elenco e humanizar as figuras quase fabulares que compõem a nobreza, o clero e a plebe. O elenco ainda é composto por talentos como Guy Pearce, Timothy Spall, Derek Jacobi, Jennifer Ehle, Anthony Andrews, Claire Bloom, Eve Best e Michael Gambon, conhecido como o eterno professor Dumbledore da saga Harry Potter.

 

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